A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, Isabel Jonet, lançou um apelo aos desempregados portugueses para que não se agarrem às redes socais e procurem trabalho, mesmo que seja voluntário.

Em entrevista à «Rádio Renascença» esta terça-feira, Jonet afirmou que «o pior inimigo dos desempregados são as redes sociais».

«Muitas vezes as pessoas ficam desempregadas e ficam dias e dias inteiros agarradas ao «Facebook», ou agarradas a jogos, agarrados a amigos que não existem e vivem uma vida que é uma total ilusão», disse a presidente.

Jonet recomendou aos desempregados que procurem trabalho voluntário, para se manterem ativos e aumentarem a possibilidade de encontrar um emprego.

Esta não é a primeira vez que a presidente do Banco Alimentar profere declarações polémicas, em 2012, chegou a existir uma petição para a sua demissão, devido a uma entrevista dada à «Sic Notícias».

«Cá em Portugal podemos estar mais pobres, mas não há miséria. Há que fazer uma lógica quase doméstica, de contabilidade doméstica, se não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, não podemos comer bifes todos os dias», disse Jonet na altura.

As declarações divulgadas ontem parecem estar a caminhar na mesma direção, nas redes sociais já são muitos os indignados contra Isabel Jonet.

Na entrevista da «Renascença», a presidente do Banco Alimentar comentou, ainda, os cortes das pensões impostos pelo governo, e afirma que os pensionistas e funcionários públicos «já não aguentam mais».

«Eu acho que ainda há muito onde podemos reduzir sem ter, necessariamente, de impor mais cortes aos pensionistas», disse Jonet.

Para a presidente o crescimento do número de pessoas em privação severa é o facto mais preocupante da crise. A responsável do Banco Alimentar considera que se não fossem as instituições particulares de solidariedade social, já se teria registado uma rutura social em Portugal.