O cardeal patriarca de Lisboa garantiu esta quinta-feira existir uma «relação fraterna de diálogo e de grande respeito» com a comunidade muçulmana em Portugal e disse não querer «alimentar uma polémica» em torno do casamento entre pessoas de religiões diferentes, refere a Lusa.

D.José Policarpo falava aos jornalistas no Mosteiro de S.Vicente de Fora, em Lisboa, onde decorreu o lançamento do livro «Os Patriarcas de Lisboa», cuja obra foi apresentada por Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud e ex-ministra da Saúde.

Questionado sobre se as suas recentes palavras sobre o casamento de mulheres católicas como muçulmanos foram mal interpretadas, o cardeal de Lisboa disse não querer «alimentar uma polémica» porque «ela pode pôr em risco uma coisa que é muito importante», a relação de diálogo e respeito pela comunidade muçulmana.

«Eles sabem bem o meu esforço, que é de proximidade e de diálogo lúcido e objectivo», disse D.José Policarpo, observando contudo: «Não se chama dialogar se a gente esconde os problemas».

Numa tertúlia realizada a 13 de Janeiro, na Figueira da Foz, o cardeal patriarca de Lisboa advertiu as jovens portuguesas que casar com muçulmanos acarreta um «monte de sarilhos que nem Alá sabe onde acaba».

Quanto à mensagem que enviaria aos católicos numa altura de grave crise económica, o cardeal patriarca de Lisboa respondeu: «Primeiro serenidade, depois objectividade e a seguir generosidade».

Àqueles a quem dificuldades acrescidas «vão bater à porta», D.José Policarpo pediu que «não sejam só vítimas» e que «percebam que podem ser parte da solução».

Quanto ao livro «Os Patriarcas de Lisboa» e desafiado a eleger as figuras que mais se destacaram na história, D.José Policarpo disse ser «difícil responder», mas não resistiu a evocar dois dos cardeais com quem conviveu e colaborou - Manuel Gonçalves Cerejeira e António Ribeiro.

Acerca do cardeal Cerejeira, D.José Policarpo considerou que aquela figura tem sido «maltratada» e mal compreendida, sobretudo por causa da «relação ou pseudo-relação» que teve com o poder político de então.

Em sua opinião, há que ter em conta que «a Igreja em 1929 sai de um período de grande perseguição e humilhação durante os anos da República e que o cardeal Cerejeira é o homem que restitui o prestígio, a identidade e a própria dignidade» da Igreja Católica.

«Espero que a história me venha a tratar com justiça e com generosidade», profetizou.

O livro, editado pela Aletheia Editores, foi coordenado por D.Carlos Azevedo, Sandra Saldanha e António Boto de Oliveira.