O secretário de Estado português das Florestas e do Desenvolvimento Rural considerou «completamente anómalos» os «quase 400» incêndios florestais diários ocorridos nos últimos 15 dias em Portugal, 40% dos quais registados à noite e com «localizações muito estranhas».

«Confesso que não sei dizer o que acho, mas sei dizer que há coisas que não são [normais]. A essa hora não é por negligência que estes fogos aparecem, não é por acidente, não é por causas naturais, portanto há aqui qualquer coisa que não está correta», afirmou à Lusa, em Maputo, Francisco da Silva.

Falando à margem de um seminário organizado pelas associações dos jovens agricultores de Portugal e Moçambique, o secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural afirmou haver «coisas» a acontecerem em Portugal no que respeita aos incêndios, pelo que «não há ordenamento florestal que resista a isso».

O governante assinalou que, desde janeiro até ao dia 15 de agosto, já tinham ardido 30 mil hectares de terra em Portugal, área que representa menos 70% do que a média de área queimada nos últimos 10 anos e menos 55% em relação ao ano passado.

«É evidente que, do dia 15 de agosto até agora, a situação foi de tal maneira anómala que houve um aumento da área [queimada]. Não tenho o número, mas estimo que tenham ardido 20 ou 30 mil hectares», afirmou.

No entanto, Francisco da Silva contestou as críticas feitas sobre a resposta que tem sido dada pelas autoridades florestais portuguesas, referindo «não ser verdade que Portugal não tenha feito nada» nos últimos 10 anos.

«Existe um sistema de defesa da floresta contra incêndio. Não existia em 2003, 2005, nos grandes focos, mas neste momento existe. Portanto, as coisas já não são o que eram. Este sistema de defesa de floresta contra incêndios, que são sistemas de prevenção estrutural, com elementos no território, faixas de gestão de combustível, pontos de água e gestão ativa da floresta, demoram tempo a implementar e a dar frutos», disse.

O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural de Portugal anunciou «para breve» a apresentação de «algumas medidas legislativas muito úteis» do ponto de vista governamental para o ordenamento do território e a boa gestão da floresta.

«Não é [uma medida anunciada] para breve por causa dos incêndios, estão previstas. Portanto, temos que fazer tudo que está ao nosso alcance para acelerar esta implementação e o meu compromisso é que farei», acrescentou.

«Não estou à espera dos incêndios para o fazer. Estou pessoalmente a fazer desde fevereiro, quando tomei posse, e a ministra há dois anos», concluiu.