Notícia atualizada às 18:06

O presidente da Associação Nacional de Sargentos, Lima Coelho, advertiu que as Forças Armadas «estão serenas, mas não estão submissas», no final da manifestação que reuniu milhares de militares em Lisboa.

«As forças armadas estão serenas, mas não estão submissas nem submetidas às más vontades de quem quer que seja», declarou António Lima Coelho, frente à Assembleia da República.

O dirigente anunciou que seria ainda hoje entregue um documento com as principais preocupações dos militares das Forças Armadas a «um representante da Presidente da Assembleia da República».

Resumindo o «estado de espírito» dos militares portugueses, Lima Coelho frisou que quando «se chega ao limite de terem que se manifestar» é porque «as coisas estão seriamente mal».

«Não nos obriguem a vir para a rua gritar porque está na hora de irem zarpar», apelou, perante os aplausos dos manifestantes, que deram o protesto por terminado entoando o Hino Nacional, tal como tinham feito à chegada.

Numa intervenção anterior, o presidente da Associação de Praças, Luís Reis, destacou o aumento das situações de insolvência de militares, e deixou críticas ao ministro da Defesa, Aguiar-Branco, que recebeu os primeiros assobios e vaias dos manifestantes.

Segundo Luís Reis, aumentou nos últimos anos o número de militares em «situação de insolvência», em consequência dos cortes nos vencimentos e nas pensões.

«E o ministro da Defesa e o governo a que pertence têm feito alguma coisa para resolver esta situação?», questionou, suscitando uma reação de repúdio por parte dos manifestantes, que assobiaram Aguiar-Branco e o Governo PSD/CDS-PP.

«Gatunos» e «os militares não são ladrões» foram frases proferidas por alguns militares durante o protesto frente à Assembleia da República, que decorreu de forma pacífica.

Milhares de militares das Forças Armadas protestaram contra o corte de rendimentos e pensões e desfilaram entre o Largo de Camões e a Assembleia da República, numa marcha lenta e quase silenciosa em que foram exibidas bandeiras pretas e algumas faixas.

«Quero o salário de volta já», «Pela soberania nacional», «Dignificação da condição militar» e «humilhação não» eram algumas das frases que se podiam ler nas faixas exibidas pelos militares no protesto.

Algumas dezenas de elementos das Equipas de Intervenção Rápida da PSP fizeram a segurança ao parlamento, dispersos pelas escadarias e jardins. Ao fundo das escadarias foram colocadas barreiras de proteção.

Os militares desfilam praticamente em silêncio, que só foi quebrado pelas alunas do Instituto de Odivelas que entoaram palavras de ordem e canções em protesto contra o anunciado encerramento da instituição.

Também meia centena de pessoas, entre militares e familiares, reuniram-se hoje no centro de Ponta Delgada em solidariedade com o desfile de elementos das Forças Armadas que decorre em Lisboa, alertando igualmente para a sua «realidade dramática».

Manuel Calçada, delegado nos Açores da Associação Nacional de Sargentos, explicou, em declarações aos jornalistas durante esta «reunião» na praça das Portas da Cidade de Ponta Delgada, que «a realidade cada vez mais dramática» dos militares e respetivas famílias é uma «situação transversal a todo o território nacional».

Assim, e dada a distância dos Açores em relação a Lisboa, decidiram promover esta reunião, manifestando a sua solidariedade «pública e inequívoca» com a iniciativa que as três associações que representam os militares das Forças Armadas promovem no continente.