Portugal garante aos imigrantes «integração» e «tranquilidade» e, por isso, nem a crise levará os romenos a optarem por outras paragens europeias, agora que têm acesso livre ao mercado de trabalho, acredita uma dirigente associativa.

«Não me parece que vão para outros sítios, porque Portugal, nos últimos anos, foi um dos melhores exemplos de integração dos imigrantes, sem dúvida alguma», diz Elisabeta Necker, presidente da Doina, associação de imigrantes romenos e moldavos do Algarve.

«Aqueles que cá estão estão por opção própria, porque, em Portugal, não se ganha bem, mas vive-se bem. Têm uma vida tranquila e isso pesa muito, sobretudo nas famílias», realça, em declarações à Lusa.

Desde o princípio do ano que romenos e búlgaros podem trabalhar livremente na União Europeia, apesar da contestação de alguns Estados-membros, como Reino Unido e Alemanha.

Nesses países, o fim das restrições de acesso ao mercado de trabalho europeu vão «alterar muita coisa, sobretudo no direito do trabalho, mas em Portugal pouca coisa muda», porque a comunidade romena está «muitíssimo bem integrada», explica.

Elisabeta Necker, romena que vive em Portugal há 14 anos, fala por experiência própria, pelos casos que tem acompanhado na associação e também pelo que tem ouvido de associações parceiras. Por exemplo, em Espanha «não se pode falar do mesmo», pois existem «muito mais dificuldades de integração», compara.

Os romenos que vivem em Portugal sabem que países em situação económica mais favorável como Alemanha ou Áustria «não têm a abertura de Portugal» para os receber, afirma a dirigente associativa.

«Mesmo tendo a lei do lado deles, não sei se vai adiantar assim tanto, pelo menos no início. Qualquer mudança boa leva tempo a dar resultados», antecipa.

Sete anos depois da adesão de Roménia e Bulgária à União Europeia, os nove países que ainda mantinham restrições no acesso dos cidadãos dos dois países aos seus mercados de trabalho - Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Reino Unido, Luxemburgo, Malta e Holanda - tiveram de lhes pôr um fim.

Elisabeta Necker conhece «muitos casos de romenos que saíram para outros países [europeus] ou que voltaram para a Roménia, mas depois regressaram a Portugal», que lhes garante «tranquilidade» e «integração».

Tal não significa que a comunidade romena não seja alvo de estereótipos em Portugal. «Agora estamos em pé de igualdade com a comunidade inglesa, mas o nosso tipo de estrangeiros é outro, não é de luxo como são os outros», distingue.

Casada com um alemão e com duas filhas já nascidas em Portugal, Elisabeta Necker trabalha como assistente administrativa de contabilidade, no mesmo emprego, há onze anos.

Em 2007, co-fundou a Doina, com sede em Almancil e, desde então, acompanha a comunidade romena no Algarve, que estima ¿ e é apenas uma estimativa, pois não dispõe de números oficiais ¿ representar metade dos «mais de 20 mil» romenos que, pelas suas contas, vivem em Portugal.

Segundo Elisabeta Necker, turismo, restauração e construção são as principais atividades a que se dedicam os cidadãos romenos em Portugal.