O Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP) considerou esta segunda-feira que a decisão de demitir o diretor nacional da PSP representa «uma ingerência inaceitável do poder político».

Em comunicado, o sindicato que representa os oficiais de Polícia refere que a demissão do diretor nacional da PSP ainda não foi esclarecida pelo ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, e representa «uma ingerência inaceitável do poder político na autonomia de uma força de segurança, nomeadamente no que concerne à tomada de decisão em âmbito operacional».

Nesse sentido, referiu que a adoção de medidas no terreno «só pode ser feita em função de informação recolhida e das circunstâncias concretas, ou seja, análise de risco e gestão de cenários, determinadas nomeadamente pelas características e capacidades dos manifestantes».

No caso da manifestação da passada quinta-feira dos profissionais das forças de serviços de segurança, o SNOP relembra que existiam «armas de fogo de ambos os lados, que os manifestantes estavam habituados a este tipo de cenários, e que a tomada de uma posição de força traria consequências imprevisíveis».

«Não aceitamos que uma figura com a importância do diretor nacional da PSP esteja dependente do entendimento que o ministro da Administração Interna tenha sobre questões técnicas, ao qual não reconhecemos qualquer competência nesta matéria», adianta o sindicato, recordando que as escadarias da Assembleia da República já foram ocupadas durante uma manifestação do «movimento dos indignados» em outubro de 2011.

Milhares de profissionais de forças e serviços policiais e de segurança - PSP, GNR, SEF, ASAE, polícia marítima, guardas prisionais, polícia municipal e PJ - manifestaram-se na passada quinta-feira, em Lisboa e, depois de derrubarem uma barreira policial, conseguiram chegar à entrada principal da Assembleia da República, onde cantaram o hino nacional, tendo depois desmobilizado voluntariamente.

Na sequência destes acontecimentos, o anterior diretor nacional da PSP superintendente Paulo Valente Gomes colocou o lugar à disposição na sexta-feira, tendo o seu afastamento sido aceite pelo ministro da Administração Interna.

O novo diretor da PSP, superintendente Luís Farinha, tomou hoje posse.

O sindicato que representa os oficiais da PSP refere também que, «em menos de dois anos», o atual ministro da Administração Interna demitiu dois diretores da PSP, considerando que «em muito contribuiu para uma instabilidade a todos os títulos indesejável».

Na nota, o SNOP diz ainda que o novo diretor da PSP é «um profissional de exemplar competência e altamente capacitado para continuar o trabalho de eleição que foi desenvolvido pela direção nacional cessante».