O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, está «muito preocupado» com a limitação pelas televisões da cobertura da campanha para as eleições autárquicas e apelou à reponderação de uma decisão que prejudica a democracia.

Em declarações à agência Lusa, Alfredo Maia disse que os operadores de televisão, em particular a RTP como operadora de serviço público, têm a obrigação de assegurar o melhor possível e com o maior pluralismo a cobertura das campanhas eleitorais e não se limitarem ao acompanhamento de líderes partidários.

«É verdade que há um aparente conflito com a CNE e mesmo com os tribunais, mas enfrentar as suas decisões é um risco tão natural no jornalismo como muitos outros riscos que os jornalistas correm todos os dias. Os desafios que se colocam aos órgãos, em particular aos operadores de televisão, é que encontrem formas de enfrentar estes riscos específicos no desempenho da sua missão de garantir aos cidadãos a informação», sublinhou.

Alfredo Maia lembrou que o direito à informação «não é propriedade dos jornalistas, é um direito dos cidadãos».

Por isso, o presidente do Sindicato dos Jornalistas apela às televisões que «reponderem da decisão de limitar a cobertura da campanha que prejudica» os cidadãos e a democracia.

«Os argumentos das televisões são legítimos (...) Sabemos que os meios são limitados, finitos. Não é possível assegurar a cobertura integral de todas as candidaturas, de todos os 308 municípios do país e milhares de freguesias. Por isso, o meu apelo vai no sentido de que o acompanhamento deve ser o mais completo e plural possível», disse.