O ministro dos Negócios Estrangeiros português afirmou que "há uma investigação judicial em curso" no caso do funcionário do Serviço de Informações e Segurança detido em Roma, sem comentar eventuais impactos nas relações com a Rússia.

Há uma investigação judicial em curso, vamos aguardar o seu desenvolvimento", afirmou Augusto Santos Silva, numa conferência de imprensa na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde recebeu o seu homólogo do Luxemburgo, Jean Asselborn.

O ministro não comentou se o caso está a afetar as relações entre Portugal e a Rússia, a cujos serviços de informações terão sido alegadamente vendidos dados pelo funcionário do Serviço de Informações e Segurança (SIS).

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou na segunda-feira a detenção de duas pessoas em Roma, uma das quais funcionário do SIS, por suspeita de espionagem, corrupção e violação de segredo de Estado.

Segundo fonte ligada ao processo, a venda de informações relacionadas com segurança, nomeadamente da União Europeia e NATO, estará na base da detenção do funcionário do SIS.

A fonte não quis identificar o funcionário do SIS detido, mas adiantou tratar-se de um dos mais antigos oficiais dos serviços de informações portugueses, que já esteve em várias embaixadas, mas não estava acreditado em Itália quando foi detido.

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou que a detenção se relaciona com transmissão de informações, a troco de dinheiro, a um cidadão estrangeiro de um serviço estrangeiro de informações.

A PGR adiantou, em comunicado, que foram efetuadas buscas domiciliárias em Portugal e precisa que as detenções ocorreram durante o fim de semana na capital italiana.

Depois de a PJ ter divulgado estarem em causa os crimes de corrupção, violação de segredo de Estado e espionagem, a PGR acrescentou haver também suspeitas do crime de branqueamento de capitais.

Durante a investigação, foram emitidos dois mandados de detenção europeus e uma carta rogatória, com pedido de cumprimento antecipado de diligências de recolha de prova.

As detenções resultaram de cooperação entre as autoridades portuguesas e italianas, com intervenção da Eurojust. Os suspeitos foram apresentados às autoridades judiciárias italianas, encontrando-se a aguardar extradição em prisão preventiva.

Nestas investigações, o Ministério Público é coadjuvado pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da Polícia Judiciária, que enviou investigadores a Itália.