Cerca de 30% da população de lagartos pode desaparecer em algumas partes da Europa nos próximos 100 anos como consequência do aquecimento global. De acordo com um estudo publicado no jornal PLOS Biology, o aumento da temperatura no planeta perturba os hábitos de vida e de reprodução destes animais, mas não deverá colocar em risco a sobrevivência das espécies.

Para perceber como é que os lagartos reagiam às mudanças de temperatura, os cientistas colocaram a espécie de lagartos, conhecida como “Zootoca vivipara”, num espaço fechado, com uma temperatura de dois graus Celsius acima da atual.

A alteração do ambiente fez com que os reptéis mais jovens crescessem mais rapidamente e, além disso, começassem o processo de reprodução mais cedo que o habitual. Porém, as temperaturas mais altas tiveram efeitos negativos nos lagartos adultos: provocaram a morte precoce dos répteis. Segundo o estudo citado pela AFP, pode estar em risco a sobrevivência desta espécie no prazo de duas décadas.

 “O aumento da mortalidade adulta levaria a taxas de crescimento populacional menores e, por fim, à rápida extinção da população em cerca de 20 anos".

Embora os resultados apontem para um cenário negativo, especialmente nas faixas do sul do território europeu, os investigadores não têm certeza sobre qual seria o comportamento dos lagartos em condições semelhantes na vida real.

Os investigadores observaram como é que as fêmeas adultas reagiam a temperaturas mais quentes e notaram que, ao contrário do que acontece normalmente, elas tinham duas reproduções durante o verão. Esta mudança de hábitos “pode ajudar na adaptação das populações para climas mais quentes ao longo do tempo", segundo Elvire Bestion, investigador associado na Universidade Britain's Exeter.