A Ordem dos Médicos voltou a defender a demissão do conselho diretivo da Administração Central do Sistema de Saúde, após várias irregularidades no concurso para a especialidade médica, considerando que esta direção "é um fator de instabilidade".

As irregularidades no concurso para a especialidade médica, que termina na sexta-feira, "são uma coisa absolutamente escabrosa", disse à agência Lusa o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), Carlos Cortes, considerando que só uma alteração do conselho diretivo da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) pode resolver o problema.

Segundo Carlos Cortes, ao longo do processo, foram identificadas falhas no sistema informático, no número de vagas, candidatos que deviam estar na lista e não apareciam, profissionais que não podiam entrar no concurso e apareciam e erros de comunicação e listagem que levaram à "paragem ou retrocesso" do concurso, entre outros problemas.

Em causa está o concurso deste ano de internato médico - momento de escolha da especialidade dos clínicos recém-licenciados -, que arrancou no passado dia 23 de novembro com diversas irregularidades denunciadas, a começar pela própria lista final de vagas, que em vez de conhecida 10 dias antes, como determinado pela legislação, só foi publicada no dia seguinte.

"Pedimos a demissão do conselho diretivo da ACSS, porque, neste momento, a ACSS é um fator de instabilidade na saúde em Portugal e no próprio ministério", sublinhou Carlos Cortes.

Para além das falhas que critica, o presidente da SRCOM apontou ainda para uma "teimosia irresponsável" do presidente da ACSS, Rui Ivo, ao não aceitar os apelos da Ordem dos Médicos para adiar o processo.

"Não existe esforço em melhorar o processo", afirmou, referindo que o único motivo que vê para as falhas no concurso "é a incompetência dos dirigentes da ACSS".

Para o responsável, a atual equipa da ACSS é "incompatível com o nível de exigência que se quer para o Serviço Nacional de Saúde", salientando ainda que o ministério da Saúde, se mantiver o conselho diretivo, "vai ter sérios problemas em cumprir aquilo a que se comprometeu".

Carlos Cortes sublinhou que o concurso de especialidade médica "é uma escolha para o resto de uma vida", sendo que "é grave tratar isto com leviandade".

Também a 01 de dezembro, a Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos pediu a demissão do presidente da ACSS, considerando que o processo foi "inquinado" e que "pode ser impugnado".

A própria Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) também já veio pedir o adiamento do processo de escolha de vagas para a especialidade.

O processo abriu no dia 23 de novembro, data em que efetuaram a escolha os primeiros 58 candidatos internos, e termina nesta sexta-feira.

A agência Lusa tentou ouvir a ACSS, que remeteu a resposta para sexta-feira.