Pais galegos e de outras zonas fronteiriças de Espanha estão a recorrer a Portugal para comprar vacinas contra a varicela depois de alterações ao calendário de vacinação, passando a ser dada aos 12 anos, segundo a imprensa espanhola.

A alteração ao calendário não é apoiada por todos os pediatras e muitos recomendam que a vacina deve ser dada mais cedo, mas as famílias espanholas não têm acesso a ela, através das farmácias.

Uma resolução do mês de agosto da Agência Espanhola do Medicamento proibiu a venda de lotes da vacina nos canais farmacêuticos, restringindo o seu uso aos hospitais e centros de saúde.

Muitos pais, refere a imprensa espanhola, optam agora por recorrer a Portugal para a comprar e dar aos filhos, com uma primeira dose aos 12 meses de idade.

Juan Sánchez Lastres, ex-responsável da Sociedad Gallega de Pediatría lamenta a confusão lançada pela ordem nacional do calendário de vacinação insistindo, segundo a imprensa galega, que a vacina da varicela deve ser dada mais cedo.

Considera a decisão da Agência Espanhola do Medicamento de ser «unilateral, sem critérios científicos ou técnicos».

A agência espanhola, segundo a imprensa, considera que dar a vacina tão cedo poderia levar a um aumento da doença e do herpes zóster na idade adulta, quando a patologia é mais perigosa.

Em Portugal, a vacina da varicela não está incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV) mas está autorizada pelo INFARMED mediante prescrição médica.

Segundo informações no site da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Portugal deve seguir as recomendações da Organização Mundial de Saúde, que se traduzem por só considerar a vacinação das crianças contra a varicela através da introdução da vacina no PNV.