Os estudantes da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto conseguiram, como reivindicaram, a abertura da cantina à noite. Ao mesmo tempo, exigem ao Estado mais financiamento para bolsas de estudo.

Em declarações à Lusa à margem de uma manifestação dos alunos, a presidente da Associação de Estudantes da ESE, Mónica Fonseca, explicou que o protesto tinha como destaque "o assunto da cantina, já resolvido quase na totalidade, e também a questão do orçamento de Estado", onde esperam mais financiamento para o Ensino Superior.

A polémica em torno da cantina da ESE surgiu na segunda-feira, quando os estudantes exigiram a abertura à noite, por considerarem “inadmissível” que os alunos em horário pós-laboral não tivessem as mesmas condições dos restantes estudantes.

No dia seguinte, foi acordada uma solução, numa reunião com o Instituto Politécnico do Porto, alunos e Associação de Estudantes da ESE.

"Devido à pressão, conseguiu-se chegar a um acordo com os serviços, depois de dois anos de várias reuniões que não chegavam a lado nenhum. Os problemas mantêm-se, e é necessário continuar a lutar, porque as condições cada vez mais se degradam no ensino superior, as cantinas estão fechadas à noite porque as empresas interessam-se com os seus lucros e não que os estudantes comam as suas refeições"


A iniciativa ocorreu na entrada da escola e, segundo a presidente da AE, reuniu cerca de uma centena de alunos e vários dirigentes associativos do Instituto Politécnico do Porto e da Escola Superior de Educação.
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Depois de protestarem pela abertura da cantina à noite, os alunos exigem agora mais financiamento para o Ensino Superior, e lamentaram o atraso na atribuição das bolsas.

"Este foi o ano em que mais pedidos de bolsas foram feitos, e são atribuídas provisórias aos estudantes que não sabem quando vão ver o seu processo avaliado e têm uma quantia diminuta com a qual têm de se gerir durante dez meses", destacou Mónica Fonseca à Lusa.

A presidente da Associação de Estudantes da ESE disse ainda que no dia 19 de novembro haverá, em várias escolas, uma ação nacional onde serão discutidas as "questões das várias cantinas que estão com problemas".

Para além dos estudantes da ESE, vários alunos da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) têm apelado a mobilizações contra os serviços da cantina local, que "têm vindo a ser cada vez mais precários, tendo a qualidade baixado ao longo do tempo enquanto o preço das refeições aumenta."

Os alunos da FCUP propõem, num abaixo-assinado, a que hoje a Lusa teve acesso, a diminuição do preço da refeição na cantina, a contratação de mais funcionários e o aumento das condições daquele refeitório.

Também os alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) estão a solicitar mobilizações para "uma cantina para todos e com qualidade", e estiveram, na terça-feira, a recolher assinaturas para subscrever um abaixo-assinado, no qual criticam o aumento dos preços, a qualidade "reduzida" da comida e as longas filas de espera.