O escritor Mário Cláudio elogiou este domingo, em declarações à Lusa, "a paisagem de afetos extraordinária" que o recebeu no oitavo Festival Literário Escritaria, em Penafiel, onde foi homenageado nos últimos dias.

O autor admitiu que, no início do evento, na quinta-feira, vinha "um bocado intimidado", por ser homenageado, situação que considerou "um pouco constrangedora".

"Tudo isso se desvaneceu perante uma paisagem de afetos absolutamente extraordinária e invulgar que me tocou profundamente. Vou daqui muito mais rico", exclamou.


Ao longo de quatro dias, realizaram-se várias atividades sobre a vida e obra do romancista, destacando-se a apresentação do seu mais recente livro, "Astronomia", na sexta-feira, e uma conferência com a participação de várias personalidades do panorama cultural nacional, no sábado.

A arte de rua, este ano realizada por alunos das escolas do concelho, voltou a marcar presença nas ruas da cidade, para além de inúmeros momentos de música e teatro que interagiram com os transeuntes. Uma exposição com parte do espólio do autor também pôde ser vista no museu da cidade.

A imagem de Mário Cláudio passou a constar do Muro do Escritaria, juntamente com os escritores que foram homenageados desde 2008, ano da primeira edição: Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Mia Couto, António Lobo Antunes, Mário de Carvalho e Lídia Jorge.

Uma frase do autor homenageado em 2015 também foi descerrada na Praça Escritaria.

Em jeito de balanço do festival, que hoje terminou em Penafiel, Mário Cláudio sublinhou à Lusa que as "pessoas [da foram todas inexcedíveis nas atenções" que lhe dedicaram e "muito percetivas na análise" do seu trabalho literário.

"Também foram inteligentes pela forma como me leram. Isso é um contributo invulgar para quem escreve e para quem produz uma obra", acrescentou.


Sorrindo, o romancista portuense afirmou que a homenagem que o Escritaria lhe proporcionou vai ser "uma recordação e um estímulo".

"Significa uma responsabilização maior para o trabalho que vou fazer a seguir, para não dececionar ninguém", assinalou.

Questionado sobre a importância do Escritaria no plano literário nacional, depois de já terem sido homenageados, nas várias edições do festival, oito dos maiores escritores vivos de língua portuguesa, Mário Cláudio afirmou:

"Penafiel conseguiu pôr a literatura portuguesa contemporânea no mapa de Portugal. É indiscutivelmente, hoje em dia, a capital da literatura portuguesa e isso é um feito extraordinário, quase miraculoso".

Mário Cláudio é o pseudónimo de Rui Manuel Pinto Barbot da Costa, escritor que nasceu no Porto, em 1941.

O escritor tem mais de 30 obras publicadas e foi prémio da Associação Portuguesa de Escritores, em 1984, pelo livro Amadeu, e em 2004 foi agraciado com o prémio Pessoa.