As escolas recebem esta segunda-feira os relatórios individuais da prestação dos alunos nas provas de aferição, que vão permitir trabalhar as dificuldades específicas detetadas nos alunos e direcionar de forma mais concreta os apoios escolares, disse o Ministério da Educação.

Numa apresentação sobre os novos relatórios de informação individualizada para os resultados nas provas de aferição, assim como dos relatórios por escola, e que contou também com a presença do presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), Hélder Sousa, o secretário de Estado da Educação, João Costa, disse que a informação que agora passa a ser prestada a alunos, famílias e escolas é “muito mais detalhada” e “desagregada por domínios”, o que permite direcionar os apoios que se mostrem necessários, articulando-os com os planos de promoção do sucesso escolar.

“Por exemplo, numa escola, em vez de haver uma hora de apoio para Matemática, passa a haver uma hora de apoio para Geometria, se for essa a única área em que há dificuldades. Ou [permitirá também] que as turmas tenham apoios em áreas específicas em que são detetadas dificuldades, ou até que diferentes alunos de diferentes turmas sejam organizados em subgrupos de acordo com as dificuldades específicas detetadas nos relatórios individuais”, exemplificou João Costa.

O Relatório Individual das Provas de Aferição (RIPA) será entregue aos pais e alunos pelas escolas, que decidirão a melhor forma de comunicar os resultados às famílias, e não pelo Ministério da Educação.

João Costa referiu que o Relatório Individual das Provas de Aferição pretende ser um modelo de relatório “suficientemente detalhado para as escolas, mas com legibilidade suficientemente simples para as famílias”.

Os Relatórios de Escola das Provas de Aferição (REPA), por seu lado, que devem chegar às escolas até ao final da próxima semana, vão agregar os resultados das turmas e das escolas por cada domínio de avaliação, atribuindo-lhes uma percentagem.

Hélder Sousa sublinhou que este tipo de desagregação dos dados vai permitir uma “maior eficiência na gestão financeira dos apoios” nas escolas, assim como naquele que será o trabalho específico com os alunos.

João Costa disse ainda que o despacho que determina os critérios para atribuição de crédito horário às escolas para trabalho específico de apoio aos alunos sofreu alterações este ano que dão uma “flexibilização total” aos estabelecimentos na forma como gerem a utilização dessas horas.

O secretário de Estado recusou que as provas de aferição possam ser um instrumento menos fiável para avaliar os conhecimentos dos alunos do que os exames, afirmando que até “há vantagem” neste modelo.

“Não há ninguém que saiba a resposta a uma pergunta e que responda mal, só por ser uma prova de aferição. Afere-se o que se sabe de facto, não o que se empinou de véspera”, disse.

Sobre a rotatividade das disciplinas que terão prova de aferição nos 2.º, 5.º e 8.º anos, João Costa afirmou que o que se perde de informação com o “quebrar da série” nas disciplinas avaliadas “não é tão grave como a ausência total de informação sobre outras disciplinas”, que não apenas o Português e a Matemática.

Este ano, em que se aplicou um regime transitório para adaptação ao novo modelo de avaliação do ensino básico, apenas 57% das escolas decidiram aplicar as provas de aferição do 2.º, 5.º e 8.º anos, sem peso para a nota final, que vieram substituir os exames de Português e Matemática nos 4.º e 6.º anos de escolaridade, que contavam 30% para a classificação final.

A partir do próximo ano letivo, as provas passam a ser de realização obrigatória e as disciplinas em avaliação estão já definidas no calendário escolar.