Os psicólogos escolares exigem estabilidade profissional, lembrando os casos dos que voltaram a ficar sem emprego e desconhecem se serão contratados no próximo ano letivo ou se conseguirão regressar às escolas e aos alunos que acompanhavam.

Eduardo de Castro é psicólogo há onze anos e, só na semana passada, foi chamado para assinar o contrato de trabalho relativo ao ano escolar que já acabou. Para Eduardo, esta situação é reveladora da instabilidade profissional que vive há mais de uma década.

“Todos os anos temos de concorrer para tentar ficar numa escola e o que tem acontecido é que estamos sempre a mudar de estabelecimento e a deixar para trás os alunos que estávamos a acompanhar”, contou à Lusa Eduardo de Castro, cujo contrato que assinou na semana passada termina no final de agosto.


Este ano, a situação repete-se. Quando as aulas acabam, os estudantes vão para casa e os psicólogos também. Depois de um ano a acompanhar e tentar ajudar os alunos com mais problemas, estes profissionais são obrigados a deixam os seus processos na escola para o colega que vier a seguir.

Eduardo lembra que existem alunos que estão a ser seguidos nos serviços de psicologia e orientação em risco. São crianças e jovens que são acompanhados pelas comissões de menores (da CPCJ) que acabam por depositar nos psicólogos escolar a monitorização dos casos.

“São alunos que criam uma relação de confiança que é quebrada ano após ano”, alerta o profissional, sublinhando que esta situação “é péssima para toda a gente”.


Além dos alunos, os psicólogos trabalham com uma grande instabilidade profissional e as escolas são todos os anos confrontadas com mais um trabalho burocrático pela frente, porque “têm de tratar dos processos de contratação dos psicólogos, quando já tem tantos problemas e tão pouca gente para os resolver”.

No ano passado, as escolas contaram com a colaboração de cerca de 800 psicólogos, segundo dados do Ministério da Educação e Ciência (MEC) revelados no verão, altura em que o ministério veio permitir a contratação de 214 profissionais.

Além destes, havia já 424 psicólogos dos quadros dos estabelecimentos de ensino e outros 140 que podiam ser contratados pelas escolas com contratos de autonomia ou integradas em Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP).

Este ano ainda não foi publicado o despacho ou divulgado o número de psicólogos que as escolas poderão contratar. Eduardo de Castro diz que esta é uma situação que se repete todos os anos desde 2007.

A agência Lusa contactou o Ministério da Educação, mas até ao momento não foi possivel obter esclarecimentos.