A presidente da Associação Nacional de Professores, Paula Carqueja, defendeu, esta segunda-feira, a criação de uma secretaria de Estado ou de um gabinete de Apoio à Família como forma de ajudar a luta contra o bullying.

«Temos de repensar este modelo de sociedade, pensar num modelo de trabalho. Se calhar faz falta uma secretaria de Estado ou um gabinete de Apoio à Família», referiu à Lusa Paula Carqueja a propósito do Dia Mundial do Combate ao Bullying.

Além disso, afirmou a presidente da Associação de Professores, é também preciso repensar os horários laborais dos pais, para que os jovens tenham um maior acompanhamento.

«Cada vez estamos mais fechados (…) em depósitos organizacionais, [estamos] mais tempo no trabalho, mais tempo nas escolas, mais tempo longe e fora de tudo», sublinhou a responsável.

De acordo com Paula Carqueja, é necessário investir ainda no acompanhamento disciplinar nas escolas, com mais psicólogos, assistentes sociais, pais e encarregados de educação, de forma a «alertar para os direitos e deveres [dos cidadãos]».

Para Paula Carqueja, é urgente também a criação nas escolas de um gabinete de Prevenção dedicado aos jovens, até porque os jovens de hoje vão crescer e muita coisa terá de mudar.

«Estamos numa sociedade em que todos nós nos queixamos. Os nossos idosos estão a queixar-se, os professores, os cidadãos. Eles [os jovens] vão crescer e nós envelhecermos e não vai haver uma resposta se não houver esta prevenção», advertiu.

Segundo um estudo da Unicef sobre a violência contra crianças, designado como «Escondido à vista» e feito com base em dados de 190 países, um em cada três adolescentes com idades entre os 13 e os 15 anos, em todo o mundo, são regularmente vítimas de bullying na escola.

Para assinalar a data, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) associou-se ao jovem cantor D8, que vai lançar uma música sobre o tema com o título «Vais conseguir», que fala do que é ser vítima de bullying e como é conviver com essa situação no dia-a-dia de uma escola.

A APAV desenvolveu a campanha «Corta com a Violência», salientando que «o combate ao bullying não é uma tarefa de um dia nem de algumas pessoas, mas de todos os dias e de todas as pessoas».