A presidente da Associação de Professores considerou esta segunda-feira que a intenção do Governo em acabar com as provas de aferição do 8º ano em papel é “bem-vinda”, mas lembrou que ainda faltam equipamentos em muitas escolas.

Paula Carqueja falava à agência Lusa propósito da intenção do Governo em acabar as provas de aferição do 8º ano em papel, uma medida incluída no Simplex – 2017, que é apresentado esta segunda-feira.

Este projeto-piloto é muito bem-vindo. Será excelente quer para os alunos, quer para as escolas, quer para os professores (…). Haverá agilização e simplificação de processos. Além dos benefícios para todos, esta medida vai significar uma poupança de papel em termos de provas e do armazenamento”, disse.

No entender da presidente da Associação Nacional de Professores (ANP), a medida vai também ser de poupança no que diz respeito aos recursos logísticos, lembrando que as forças policiais estão sempre envolvidas no processo, o que acarreta custos.

A desvantagem neste momento vai para a falta de equipamentos nas escolas. Se a medida for mais tarde alargada, então terá de haver verbas para equipar as escolas e não só na altura da prova. Isto para que todos os alunos aprendam e estejam à vontade com as novas tecnologias”, disse.

Paula Carqueja salientou também que o problema não está só na falta de equipamento, mas também na velocidade da Internet em algumas regiões.

“Mesmo em sítios em que estão as três operadoras a velocidade é fraca. Também é preciso fazer um levantamento da internet. Estamos a falar das regiões do interior, das ilhas, mas estou convencida que o Ministério vai assegurar”, contou.

A responsável chamou ainda a atenção para a necessidade de haver mais colaboração entre escolas, autarquias e o ministério.

Tem de haver. Não podemos deixar que haja alunos prejudicados ou que algum pai sinta que o seu educando foi prejudicado. De resto esta medida só traz benefícios”, concluiu.

De acordo com o jornal i, desde a conceção da prova pelos professores, a sua realização pelos estudantes, a correção e posterior publicação dos resultados, tudo será feito ‘online’.

“Trata-se para já de um projeto-piloto que vai abranger apenas um agrupamento de escolas ou um conjunto de estabelecimentos de ensino. Não há ainda capacidade no país para que todos os alunos tenham acesso a um computador”, indica o jornal.

O jornal i adianta ainda, citando o Ministério da Presidência, que “o arranque das provas ‘online’ vai ‘possibilitar a aceleração dos tempos de classificação’ e também conseguir ‘o aumento da qualidade e da fiabilidade da classificação das respostas aos itens de resposta aberta, já que a classificação online permite monitorizar, em tempo real, o trabalho dos professores, bem como utilizar técnicas de dupla classificação”.

O Governo afirma, de acordo com o i, que “além da poupança em papel, esta mudança vai facilitar as correções e o armazenamento (deixa de ser preciso arranjar espaço físico para guardar as provas) ”.