Mais de 80% dos professores já viveram situações que classificam de indisciplina na sala de aula, segundo um estudo nacional que inquiriu mais de três mil docentes.

Estar desatento, chegar atrasado à aula ou conversar com o colega do lado são algumas das situações apontadas pela maioria dos professores que responderam ao questionário do estudo que começou a ser realizado há cerca de ano e meio pela Universidade do Minho (UM).

“Mais de 70% dos professores do ensino básico e secundário referiram que este tipo de comportamentos, de baixa gravidade, ocorrem com muita frequência”


Declarações do professor João Lopes, docente do Instituto de Educação e Psicologia da UM e responsável pelo trabalho, à agência Lusa.

A maioria dos professores inquiridos (85%) disse sentir que havia um aumento de indisciplina na sala de aula.

Apesar da elevada percentagem, João Lopes que acredita que “se calhar, se fizesse esta mesma pergunta há cinco, dez ou quinze anos atrás a resposta seria a mesma”.

Os especialistas acreditam que são as dificuldades de aprendizagem ou de acompanhar a matéria que levam a estes comportamentos e por isso defendem que é preciso lidar primeiro com “o insucesso escolar que é o que leva à indisciplina”. “É preciso apostar todos os recursos que temos nos primeiros anos de aprendizagem”, defendeu o professor da UM.

Segundo este especialista, é possível recuperar 80% dos alunos do 1.º e 2.º ano que sentem dificuldades, uma percentagem que desce para 40% nos dois anos seguintes.
 

Desatenção: "um problema grave"


Metade dos docentes referiu que os comportamentos de desatenção eram muito frequentes e cerca de 30% que ocorria muitas vezes, acrescentou Célia Oliveira, da Universidade Lusófona do Porto e também responsável pelo estudo.

"Cerca de 80% dos docentes consideram a desatenção um problema grave", resumiu a docente, sublinhando que apesar de serem situações de pouca gravidade acabam por “interromper o ritmo da aula”.

Existe ainda uma minoria de inquiridos (menos de 4%) que contou ter vivenciado casos mais graves na sala de aula, como ter alunos que agridem física ou verbalmente colegas ou que desrespeitam os professores.

Os resultados preliminares do estudo, que conta já com mais de três mil respostas de professores do ensino obrigatório e superior, foram hoje apresentados no parlamento durante a conferência sobre indisciplina em meio escolar.

Célia Oliveira explicou que o trabalho ainda não está concluído e vão continuar a realizar entrevistas para conseguir ter uma amostra representativa da situação vivenciada nas escolas portuguesas das diferentes zonas do país.