A Câmara de Vinhais considerou hoje “uma vergonha” o estudo que identifica Radão e outros poluentes em creches e escolas do distrito de Bragança e quer saber quais as escolas visitadas e quem deu autorização.

“Se nós somos os responsáveis pelo funcionamento e qualidade das instalações, temos todo o interesse e legitimidade de sermos esclarecidos”, reclamou hoje o presidente da Câmara, Américo Pereira com críticas ao “comportamento dos investigadores”.


Para o autarca transmontano, o caso tem contornos de “uma brincadeira, na medida em que garante ter questionado Neuparth, investigador principal do projeto ENVIRH - Projeto Ambiente e Saúde em Creches e Infantários, que lhe terá respondido que “as escolas intervencionadas estavam localizadas nos concelhos de Lisboa e do Porto”, sem mais especificações, dado não estarem localizadas nesta região.

O presidente da Câmara de Vinhais insiste que quer saber “quais as escolas intervencionadas, quando foram feitas as visitas, em que salas, datas, quem as acompanhou e resultados científicos”.


”Se nós somos os titulares das escolas, queremos saber quem lá entra e o que vai fazer”, argumentou, acrescentando que, enquanto responsáveis pelo funcionamento e qualidade das instalações, têm “todo o interesse e legitimidade de serem esclarecidos”.

A autarquia “repudia este tipo de comportamento e brincadeira quer dos investigadores que lançam opinião quer dos estudos sem qualquer nexo e dos próprios meios de comunicação, que fazem notícia sem terem em sua posse o corpo científico de publicação”.


Em causa está um estudo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), divulgado na quarta-feira, que concluiu que “84% das salas avaliadas registaram níveis de partículas finas (poeiras) acima da legislação recomendada pela Organização Mundial da Saúde.

Os investigadores alegam terem encontrado também, especialmente no distrito de Bragança, concentrações de Radão, um gás radioativo natural libertado pelo granito, poluente cancerígeno, “muitas vezes acima dos limiares legislados”.

Os autores do estudo referem que os dados recolhidos “preocupantes, mas não alarmantes”, indicando que o simples arejamento dos espaços pode diminuir consideravelmente os níveis de concentração destes poluentes.