Os diretores escolares alertaram para a necessidade de começar «já» a tratar da colocação dos professores para o próximo ano letivo, defendendo que os docentes têm de saber antes das férias de verão onde irão dar aulas.

«É preciso reformar o sistema de colocação de professores», defendeu Filinto Lima, vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), considerando que este é um trabalho que tem de começar «já» a ser tratado.

«Para o ano é proibido Portugal voltar a falhar na colocação dos seus professores. Espero que a situação que estamos a viver funcione como um clique e que passem a dar o devido valor a esta questão, que é fundamental», afirmou Filinto Lima, sublinhando que os problemas no arranque do ano letivo são antigos e não surgiram agora com esta equipa ministerial.

Para o vice-presidente da ANDAEP, a colocação de professores nas escolas para o próximo ano letivo tem de começar a ser tratada ainda este mês, para que os professores saibam «em junho ou julho» em que escolas vão dar aulas em setembro.

O responsável lembra que os docentes devem começar a preparar o ano letivo antes do início das aulas, já que devem conhecer as turmas e os alunos antes de entrar numa sala de aula.

Além disso, os professores sublinham que precisam de tempo para, em caso de mudarem de escola ou zona, poderem reorganizar a sua vida familiar.

Este ano, cinco semanas após ter começado o ano letivo, ainda existem alunos que continuam sem aulas a algumas disciplinas por falta de docentes.

O Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL) fez um levantamento, que foi divulgado na terça-feira, que demonstra que «ainda há um significativo número de agrupamentos de escolas com falta de docentes», como é o caso do concelho da Amadora, onde faltavam 40 professores em três agrupamentos.

Em outros três agrupamentos de Sintra faltavam 21 docentes e na cidade de Lisboa continuavam 80 por colocar em cinco agrupamentos, refere o sindicato.

Na terça-feira, o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, afirmou no parlamento que o ministério não irá «fazer experimentalismos» na preparação do próximo ano letivo, garantindo que este trabalho será feito de forma «mais atempada do que é habitual».