A associação dos diretores das escolas considerou hoje não haver professores em número suficiente para lecionar Latim e Grego, enquanto os pais defenderam que há outras áreas prioritárias na educação face ao ensino das línguas clássicas.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Adalmiro Botelho da Fonseca, considerou que “as escolas não vão ter capacidade” para integrar no seu projeto educativo, no próximo ano letivo, uma componente de culturas clássicas, porque “há muito pouca gente capaz de lecionar línguas clássicas”.

As escolas podem integrar no seu projeto educativo, no próximo ano letivo, uma componente de culturas clássicas, medida que vai ser apresentada em Coimbra, na sexta-feira, num seminário aberto à comunidade.

Na ocasião, os organizadores vão divulgar uma proposta para a concretização do projeto nas escolas e agrupamentos de escolas do ensino básico, incluindo a formação e o acompanhamento dos professores que irão lecionar cultura e línguas grega e latina, no âmbito da nova componente curricular, designada Introdução à Cultura e às Línguas Clássicas.

De acordo com Adalmiro da Fonseca, “o programa deve ser mais no sentido de levar os alunos a entender a matemática das línguas e a desenvolver o raciocínio a partir da construção daquela língua, mas não tanto ensiná-los a escrever, a falarem e a traduzirem” latim e grego.

Para o responsável neste momento “não tem grande sentido” o ensino das línguas clássicas: “É mais a cultura, mais o estudo da própria construção linguística [que interessa] do que ensinar a língua”.


Por seu turno, o presidente da Confederação Nacional de Associação de Pais (CONFAP) considerou que existem aéreas na educação que deviam ser intervencionadas antes de se apostar no ensino de línguas clássicas, como o latim e o grego.

Em declarações à agência Lusa, Jorge Ascensão, explicou não estar contra a introdução de novas disciplinas, revelando não saber se será ou não prejudicial para as aprendizagens, no entanto, referiu que “provavelmente não é neste momento o mais importante”.

“Há imensas questões no processo educativo que é necessário trabalhar com os jovens e gostaríamos de ver um investimento efetivo nessas áreas para uma escola que pretende ser global e inclusive”, referiu o responsável.


Segundo Jorge Ascensão, Portugal continua a apostar, ao contrário de outros países que seguem caminhos diferentes, numa “disciplinaridade muito rígida, bem vincada e definida”, mas os métodos continuam os mesmos.

“Não nos parece que seja o caminho mais adequado para a melhoria das aprendizagens, ainda temos bastante que fazer. Está provado que o facto de haver mais horas para as várias disciplinas não é o quais motiva, mobiliza e não é o que tem contribuído para a melhoria das aprendizagens”, exemplificou.


O responsável avança não ser possível dizer que são medidas contraproducentes, mas garante não serem as “mais necessárias, urgentes” salientando que era necessário “olhar com atenção para o processo educativo que se pretende”.