Por: Redacção / HB | 19- 11- 2008 18: 31
O presidente do Conselho das Escolas vai enviar até sexta-feira à ministra da Educação a deliberação oficial que defende
a necessidade de «suspender o actual modelo de avaliação de desempenho, até que este seja substituído por um competente».
«Vou enviar oficialmente uma carta à ministra com essa deliberação, ainda esta semana», garantiu Álvaro Almeida dos Santos,
depois de confrontado pela Lusa com críticas manifestadas por vários membros do conselho, insatisfeitos por o presidente não
ter entregue nem comunicado terça-feira a Maria de Lurdes Rodrigues a posição aprovada pela maioria, no dia anterior.
Em declarações à Lusa, o responsável do Conselho das Escolas (CE) alega que só não o fez porque a posição já era do conhecimento
público, ao ter sido divulgada na comunicação social, uma decisão que causou «incómodo» no seio deste órgão consultivo que
representa todos os conselhos executivos do país, levando até alguns membros a pedir a demissão do presidente.
Críticas
ao presidente do CE
«O presidente tem tido claramente uma atitude servil em relação ao Governo, o que é totalmente
inaceitável. Já não tem condições para continuar à frente do CE, pelo que devia apresentar a demissão», disse à Lusa José
Eduardo Lemos, autor da moção aprovada por 30 dos 53 membros do Conselho que se reuniram segunda-feira.
Na moção
em causa, defende-se a necessidade de «suspender o actual modelo de avaliação de desempenho, até que este seja substituído
por um modelo competente, compreendido e aceite pela maioria daqueles a quem se dirige».
«A moção foi a votação
e ganhou por maioria. Fico muito desiludido pelo facto de o presidente não a ter formalmente transmitido à ministra e de não
ter sido capaz, até ao momento, de a comunicar de forma clara à opinião pública. A sua atitude não é conforme com o que foi
decidido», adiantou José Eduardo Lemos.
Da mesma forma, outro membro do Conselho, que pediu para não ser identificado,
disse à Lusa que o sucedido «está a criar tensões no seio do CE pelo facto de o presidente não ter comunicado a posição aprovada»,
dando à tutela motivos para «dar a entender que dela não tem conhecimento».
«Se não dá conhecimento, então que
peça a demissão. Vejo [da parte de Álvaro Almeida dos Santos] uma colagem ao Governo, o que ultrapassa todos os limites. Há
muitas pessoas do Conselho de Escolas que não estão satisfeitas com o que aconteceu», afirmou.
«É obrigação do
presidente transmitir oficialmente as posições aprovadas. Há razões para ficar incomodado com esta posição», corroborou outro
elemento do CE, que pediu igualmente para não ser identificado.
Almeida dos Santos recusa «ocultação»
Confrontado pela Lusa, Álvaro Almeida dos Santos negou todas as acusações, garantindo não ter havido «nenhuma ocultação das
coisas».
«Rejeito completamente as acusações de colagem ao Governo. Sempre comuniquei à ministra o clima de tensão
que se vive nas escolas», assegurou.
De acordo com o responsável, na reunião de segunda-feira foi ainda votada
uma outra moção, que saiu minoritária com 23 votos, na qual se pedia «uma revisão profunda do actual modelo de avaliação,
de forma a torná-lo exequível».
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