A turma constituída na escola de primeiro ciclo dos Templários, em Tomar, exclusivamente com alunos de etnia cigana visa conseguir que alunos com elevado grau de absentismo tenham sucesso, assegurou o diretor à Lusa.

Carlos Ribeiro, diretor do Agrupamento de Escolas Jácome Ratton, que integra aquele estabelecimento de ensino, disse à agência Lusa que a preocupação na constituição da turma foi conseguir a melhor solução para que alunos repetentes e com «absentismo grande» aprendam a ler e a escrever.

«São alunos que estão todos ao mesmo nível em termos de escolaridade. Procurámos que a turma fosse homogénea não pela idade mas pelo nível de aprendizagem», disse, frisando que a turma é «muito pequena» e que a professora foi escolhida pela sua «grande experiência» e capacidade de perceber o contexto socioeconómico e familiar das crianças.

Frisando que o agrupamento segue as normas para constituição de turmas, Carlos Ribeiro afirmou que, neste caso, se procurou atender às «especificidades» e que foram considerados vários aspetos, mas não o da etnia.

«Nem a direção, nem os professores, nem eu fazemos essa distinção. Olhamos à situação e procuramos a que nos pareceu ser a melhor solução quando tudo o resto falhou», disse.

«Discriminação é ter alunos com 13, 14 anos que não sabem ler nem escrever», disse, frisando que a opção por uma turma pequena com alunos que necessitam de um acompanhamento mais próximo e estratégias diferenciadas é uma tentativa de «ir ao encontro» daqueles que se sentem «desfasados da forma normal de lecionação» e «conseguir que comecem a aprender».

Sublinhando que estes alunos não são «de forma nenhuma postos de parte», o diretor afirmou que interagem com os outros nos intervalos e que participam normalmente em todas as atividades da escola.

«Queremos em contexto de sala de aula criar empatia e interesse em virem à escola», adiantou.

Lamentando a «desestabilização» que o mediatismo que a criação desta turma provocou, Carlos Ribeiro disse esperar que isso não venha a ter reflexos na assiduidade dos alunos e que esta tentativa de «fazer diferente» permita conseguir aquilo que é pretendido, «a aprendizagem».

Carlos Ribeiro frisou ainda que estes não são os únicos alunos de etnia cigana que frequentam esta e outras escolas do agrupamento, seguindo a maior parte um percurso normal.

Contactada pela Lusa, a presidente da Câmara Municipal de Tomar, Anabela Freitas, afirmou que, embora as escolas de primeiro ciclo sejam geridas pelo município, a formação de turmas não é da competência deste, não se imiscuindo nesta matéria.

Contudo, adiantou que a existência de planos curriculares alternativos para alunos sem aproveitamento escolar acontece em escolas de todo o país, permitindo um acompanhamento maior dessas situações.

Por outro lado, afirmou, não foi recebida qualquer contestação nos serviços de Educação do município.