Dezenas de pais de alunos das quatro escolas do agrupamento de Monchique, no Algarve, impediram segunda-feira que os seus filhos iniciassem as aulas, em protesto pela composição das turmas daqueles estabelecimentos de ensino, disse o presidente da autarquia.

«Os encarregados de educação exigem a reorganização das turmas e não aceitam a composição atual, onde algumas têm 20 alunos e outras apenas oito», disse à agência Lusa Rui André, presidente da Câmara de Monchique (PSD).

De acordo com o autarca, os encarregados de educação permitiram a entrada de funcionários e professores, mas «estão unidos e não permitiram que os cerca de 300 alunos iniciassem as aulas».

Além da escola EB2/3, os encarregados de educação das três escolas do primeiro ciclo e do pré-escolar «acabaram por aderir ao protesto e decidiram também solidarizar-se, não deixando que os filhos iniciassem as aulas», acrescentou.

«O que nós queremos é que com os mesmos recursos, as turmas sejam reorganizadas, porque não faz sentido que na mesma sala estejam alunos de vários níveis de ensino», disse o autarca.

Segundo Rui André, os protestos com o boicote às aulas «vão continuar até que a situação seja resolvida».

Obras motivam cordão humano no Marco de Canaveses

No Marco de Canaveses, centenas de alunos, acompanhados de dezenas de professores, concentram-se de manhã, à entrada da Escola Secundária, onde fazem um cordão humano em protesto pela paragem das obras no estabelecimento.

Conforme tinha sido previamente anunciado pela associação de pais, a concentração, que também reúne muitos encarregados de educação e pessoal não docente, está a impedir o início das aulas, num protesto que vai manter-se ao longo do dia.

Eduardo Pereira, representante dos pais, explicou à agência Lusa que o «impedimento da atividade letiva», nesta segunda-feira, resulta do «trabalho da associação para tentar envolver a comunidade escolar neste nosso projeto».

Alunos, pais, professores e funcionários estão a fazer um cordão humano em redor da escola para, segundo Eduardo Pereira, «mostrar a união de toda a comunidade». Muitos alunos e professores, correspondendo ao apelo da organização do protesto, estão vestidos de verde, para «mostrar que acreditam na escola e na educação».

Na terça-feira, as aulas vão começar normalmente, garantiu. Contudo, ao longo da semana haverá outros protestos.

A Escola Secundária do Marco de Canaveses tem cerca de 1.600 alunos e uma centena de professores. No final de 2012, a empresa Parque Escolar suspendeu as obras de requalificação do estabelecimento, devido à falta de verbas, quando ainda só estava concluído o primeiro terço dos trabalhos. Desde então, as atividades letivas estão repartidas pelas partes nova e antiga da escola, encontrando-se esta bastante degradada, segundo a direção do estabelecimento.

Em agosto, o ministro da Educação recebeu a comissão de pais e manifestou abertura para inscrever no Orçamento do Estado de 2014 as verbas que permitissem retomar as obras na escola.