Mais de meia centena de pais, alunos e professores juntaram-se esta quinta-feira à porta da escola Pedro de Santarém, em Lisboa, protestando pela falta de docentes, 23 só naquele estabelecimento.

Mais do que um protesto, tratou-se de um alerta, conforme explicou à Lusa o presidente da Associação de Pais da escola, Manuel Barata, que alerta para o facto de ter passado um mês e faltar um professor no jardim-de-infância, três no primeiro ciclo e 19 no segundo e terceiro ciclos.

«Chega a acontecer haver alunos que não têm quatro e cinco disciplinas», disse Manuel Barata, acrescentando que estão a ser prejudicados, só na escola Pedro de Santarém, entre 400 a 500 alunos.

Com cartazes colados no gradeamento exterior da escola a dizer frases como «Vergonha! Que nunca mais se repita. Exigimos Respeito», «Qualidade como? Quando? Compensar o tempo perdido», ou «Uma semana passou, nesta escola nada mudou», o alerta demorou cerca de uma hora, tendo sido marcado em simultâneo para outras escolas também.

De acordo com o responsável, há a promessa de, na próxima semana, serem colocados professores mas, agora, disse, é preciso «ver para crer». E justifica: «Já ouvimos tantas promessas de que isto ia ser resolvido, tínhamos alguma esperança de que, na sexta-feira, fossem colocados professores e não foram colocados, agora temos a esperança de que, na próxima semana, sejam colocados, mas não passa de esperança».

Porém, depois de colocados os professores, salientou, é preciso resolver outro problema: como é que o Ministério da Educação e as Escolas vão fazer para os alunos recuperarem um mês de aulas perdidas.

«Estamos seriamente preocupados com os nossos filhos, alguns têm exames», frisou o responsável, explicando que há alunos do segundo ano do primeiro ciclo, do sexto e do nono ano, que não têm aulas e que vão ter exames e que estão em desvantagem em relação aos que têm professores desde o início do ano. É preciso encontrar uma forma de resolver o assunto e apoiar os alunos, disse.

O protesto, apesar de uma presença policial bem visível, não juntou muitas pessoas nesta escola de Lisboa e, das presentes, apenas algumas crianças ensaiaram palavras de ordem. Manuel Barata lembrou que o protesto decorreu noutras escolas de Lisboa e do resto do país.

A iniciativa, chamada «Nem mais um dia sem aulas», já vinha sendo anunciada nas redes sociais para várias escolas, nas quais continuam a faltar professores, na sequência de erros na colocação, por parte do Ministério da Educação.