A Associação de Pais da EB1/JI de Parada, escola de Santo Tirso, alertou este sábado para a possibilidade de a água usada neste estabelecimento de ensino ser «imprópria» para consumo pelos alunos, mas Câmara garante «qualidade» e «controlo».

«O facto que se constata é que as crianças têm andado com constantes dores de barriga e queixas contínuas. Já questionamos a cozinheira: o peixe está nas melhores condições e o talho é o mesmo de sempre. Como não temos água da rede pública nem saneamento, tememos viroses», disse à Lusa o presidente da Associação de Pais da EB1/JI de Parada, Nuno Carvalho.

Este estabelecimento de ensino localiza-se na União de Freguesias Carreira/Refojos, onde estudam alunos com idades compreendidas entre os três e os dez anos.

Segundo a associação de pais, esta EB1/JI «não é abastecida por água pública, mas sim por água de um poço» e, prosseguiu o responsável, «há cerca de dois/três meses deram-se casos que levaram a Câmara a fornecer garrafões de cinco litros para o uso na cozinha [lavagem de legumes e frutas] e para lavagem de dentes».

«Pararam esse fornecimento alegadamente porque a água é boa mas temos dúvidas», referiu Nuno Carvalho que enviou à Câmara um email no qual pede o regresso ao sistema de garrafões e conta ter feito investidas para averiguar a qualidade da água.

«Tendo nós questionado técnicos de análises microbiológicas, as suas respostas foram unânimes do sentido de que a água do local onde está instalada a escola não é de boa qualidade, uma vez que o local é muito fundo e apanha com toda a espécie de poluentes, pesticidas e microorganismos», lê-se no texto.

A Lusa contactou a Associação de Pais da Escola de Guimarei, localizada na mesma área, que confirmou, sem, no entanto, conseguir precisar quando - «talvez no Natal», disse o responsável, Ricardo Silva - que a Câmara abasteceu este equipamento com garrafões de água até à realização de análises.

Em comunicado, a Câmara de Santo Tirso garante que a EB1/JI de Parada «dispõe de um sistema de tratamento composto por desinfeção, correção do pH e desnitrificação» e que «a água distribuída é própria para consumo humano».

«É de salientar, que o Programa de Controlo da Qualidade da Água realizado por esta autarquia está sujeito a um Programa de Vigilância Sanitária da Água para Consumo Humano, que a Unidade de Saúde Pública efetua em paralelo com a Câmara Municipal, ao abrigo do artigo 4.º e do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º306/2007 de 27 de agosto]», lê-se no documento.

A autarquia vincou não ter sido «notificada de qualquer problema relacionado com a qualidade da água, nem tão pouco sobre algum surto de viroses em algum estabelecimento de ensino».

Questionada pela Lusa sobre futuros investimentos nesta área, a autarquia socialista liderada por Joaquim Couto diz que esse é «um processo em aberto», justificando que «as obras que estavam previstas através da concessionária, no âmbito do POVT, foram chumbadas pelo atual Governo».

«A Indaqua submeteu um projeto que contemplava um investimento de 10 milhões de euros, tendo sido apenas aprovado 27 por cento dessa verba. A Câmara de Santo Tirso espera que no próximo quadro comunitário de apoio a Indaqua ou a Águas de Noroeste possam dar andamento ao processo», conclui o documento.