O secretário de Estado da Educação afirmou, esta terça-feira, que a autonomia e flexibilidade curricular, medida que é agora disponibilizada a todas as escolas, poderá levar a uma melhoria dos resultados nos exames de acesso ao ensino superior.

João Costa sublinhou que é "preciso perceber onde é que os alunos têm maus resultados quando fazem exames", num país que tem "médias de exames bastante baixas", sendo que os resultados dos últimos dez anos revelam que os alunos falham mais nos itens de "raciocínio, na interpretação, na escrita e na aplicação de conhecimento. Não é nas rotinas de memorização".

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Nesse sentido, o secretário de Estado acredita que, com a autonomia e flexibilidade curricular alargada neste ano letivo a todas as escolas e com um trabalho nessas competências, "o resultado dos exames até será melhor".

Apesar disso, reconheceu que o peso dos exames para o acesso ao ensino superior "é um debate que tem de ser tido".

João Costa falava aos jornalistas após a sua participação na Jornada de Educação "Autonomia e Flexibilidade Curricular e a Descentralização da Educação", promovida pela Câmara Municipal da Batalha, no distrito de Leiria.

Durante a sua intervenção, salientou o convite que o ministério fez para que haja uma diversificação dos instrumentos de avaliação.

Não podemos ter uma rede de alunos críticos e analíticos e depois avaliá-los só na memória", vincou o membro do Governo, sublinhando que as escolas abrangidas no projeto-piloto de autonomia do ano letivo transato acabam por criar "novos instrumentos de avaliação", sem "matar os testes", mas garantindo um "equilíbrio muito maior".

Sobre o arranque do novo ano letivo e questionado sobre se os professores estão prontos para integrar a autonomia e flexibilidade curricular, João Costa referiu que, no ano piloto, os docentes mostraram que, quando lhes é dada liberdade para serem os construtores do currículo, "aparecem práticas absolutamente maravilhosas".

Segundo o secretário de Estado, a partir da próxima semana vai estar no terreno um instrumento de acompanhamento e de apoio às escolas que adotem o modelo de autonomia e flexibilidade curricular, que vai permitir esclarecer dúvidas, promover a formação e a partilha de práticas.

Vai ser feito um investimento de 19 milhões de euros em formação", avançou.