As famílias portuguesas vão gastar mais dinheiro este ano com o regresso às aulas, segundo um inquérito que aponta para uma despesa média de 528 euros entre livros e outros materiais para o dia a dia da escola.

A menos de um mês do início de mais um ano letivo, as famílias voltam a calcorrear livrarias e superfícies comerciais à procura das melhores campanhas e descontos de material escolar.

Apesar das promoções, a fatura vai voltar a subir este ano e quanto mais velhos são os alunos mais caros ficam os livros: no 1.º ciclo os manuais obrigatórios, sem cadernos de atividades, rondam os 25 euros, mas no secundário ultrapassam facilmente aos 200 euros.

As famílias estimam gastar 528 euros, mais 19 euros que no ano passado, segundo o "Estudo sobre as Intenções de Compra dos Portugueses no Regresso às Aulas 2015", que realizou 600 entrevistas telefónicas em todo o país.

Além dos manuais, as compras vão recair essencialmente em vestuário e calçado (85%), despesas de educação (78%) e artigos de desporto (73%), segundo o estudo em que foram consideradas as respostas de 238 pessoas, porque eram quem tinha filhos em idade escolar ou em que o próprio estava a estudar.

A forma que muitas famílias (51%) encontram para conseguir fazer face às despesas é repartindo as compras, comprando os manuais escolares num momento diferente do restante material.

Apesar da elevada fatura, a maioria dos inquiridos (94%) quer que os filhos tenham manuais novos mas já se começa a notar um aumento de pessoas que veem com bons olhos os livros em segunda mão: em relação ao ano passado, regista-se um aumento de 33% de pessoas que optam por manuais usados, alguns pedem emprestado a familiares ou amigos enquanto outros recorrem a “lojas” de segunda mão.

Na internet, existem sites de vendas e de trocas gratuita, mas também existem espaços físicos onde as famílias podem ir, tal como os apoiados pelo “Movimento pela Reutilização dos Livros Escolares”.

Este movimento divulga na sua página online - www.reutilizar.org - os cerca de 200 bancos de recolha e partilha gratuita de livros escolares em todo o país que já permitiu a milhares de famílias poupar na compra de material e que continuam a funcionar.

À Lusa, o fundador do movimento, Henrique Cunha, lamentou as contantes mudanças de metas curriculares e de manuais por parte das escolas que dificultam a sua reutilização, contrariando a legislação em vigor que estabelece um prazo de seis anos de vida para os livros.

O Movimento decidiu por isso lançar no início do verão uma campanha de recolha de reclamações e denúncias de casos em que os pais consideram que houve ou está a haver algum tipo de “obstáculos à reutilização dos manuais” que vão fazer chegar ao provedor da Justiça a 15 de setembro.

Outra das questões feitas aos inquiridos durante o mês de maio foi se pretendiam dar semanada aos filhos e quais os valores: em média, as famílias dão 20 euros para os filhos gastarem no período de aulas (mais três do que no ano passado), mas 31% dos inquiridos disse que o valor máximo da semanada seria de 10 euros, segundo o estudo realizado pelo Observador Cetelem.