A associação dos diretores de escolas públicas aplaude a entrega às escolas da decisão do peso que o exame de inglês deve ter na nota final dos alunos, mas admite que, em breve, seja necessário definir uma ponderação uniformizada.
 

“Neste ano que se aproxima, não é má ideia darem à autonomia das escolas a decisão sobre a ponderação do peso dessa prova. E acho que acertaram na decisão em relação a uma prova que dá muito trabalho. Isto dá um trabalho terrível, mais do que às escolas, aos professores de inglês. E por isso acho que deve valer para alguma coisa”, disse à Lusa o vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.


O ministro da Educação, Nuno Crato, anunciou na quarta-feira que a prova de diagnóstico de inglês do 9.º ano, elaborada pela Universidade de Cambridge, vai passar a contar para a nota final dos alunos, com um peso que pode ser igual ao dos exames nacionais e das provas finais.
 

No entanto, os diretores admitem que o peso variável que as escolas vão poder inicialmente atribuir a este exame, para a nota final, deverá dar lugar a uma “uniformização para todas as escolas”, para evitar diferenças entre alunos.


A ANDAEP refere que concorda com a decisão da tutela de dar um peso na avaliação a esta prova, até porque vai atribuir ao exame uma importância que levará os alunos a encará-la com outra responsabilidade, contribuindo para acabar com faltas ao teste sem consequências para os ausentes. Para os professores será um momento de avaliação no 3.º período escolar que fica entregue a uma entidade externa, referiu Filinto Lima.

O responsável associativo deixou, no entanto, críticas à atuação do instituto da Universidade de Cambridge responsável pela elaboração da prova, referindo que os testes deviam ser partilhados com os professores portugueses.
 

“Os professores vão preparar os alunos com base em nada, porque não têm os testes dos anos anteriores. Cambridge não partilha. Porque escondem as provas? Não têm que esconder, têm que partilhar”, disse, referindo que até os enunciados das provas sobrantes têm de ser devolvidos pelas escolas portuguesas em envelope fechado, entregue à PSP.


Já Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE) disse apenas não ter recebido por parte da tutela nenhuma informação sobre a nova determinação, desconhecendo como irá ser operacionalizada.

A decisão de incluir os resultados na prova de Cambridge na nota final dos alunos do 9.º ano tem efeitos já a partir do ano letivo de 2015/2016.
 

Notas inflacionadas são problema de colégios privados


Os diretores das escolas públicas acreditam ainda que os inquéritos abertos a escolas por notas inflacionadas digam apenas respeito a estabelecimentos privados, até pelas consequências previstas no sistema público para as escolas que incorram nestas práticas.
 

“Para mim este é um problema das escolas privadas, até porque as escolas públicas que inflacionem notas são penalizadas nos créditos horários atribuídos”, disse à Lusa o vice-presidente da Associação Nacional dos Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.


A Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) abriu quatro processos de inquérito, “para investigação mais aprofundada de indícios de responsabilidade disciplinar, detetados” em inspeções a escolas, suspeitas de inflacionarem as notas internas dos alunos, adiantou o Ministério da Educação.

Filinto Lima afirmou que as discrepâncias, que podem ter influência nas médias de candidatura ao ensino superior, acontecem mais nas escolas melhor classificadas nos ‘rankings’ dos exames nacionais, cujos lugares cimeiros são geralmente ocupados por estabelecimentos privados.

Em 2014 a tutela reviu as regras para atribuição de créditos horários às escolas - horas a mais concedidas para apoio aos alunos ou projetos educativos, por exemplo, e que podem implicar a contratação de mais professores, caso o corpo docente das escolas seja insuficiente para assegurar as horas a mais atribuídas.

Entre os critérios para conseguir estes créditos estão o Indicador de Eficácia Educativa (EFI), que permite às escolas ganhar crédito horário semanal, tendo em conta as notas obtidas pelos alunos nos exames nacionais e os resultados conseguidos ao longo do ano.

As escolas onde os alunos conseguem ter notas nos exames não muito distantes das obtidas ao longo do ano pelo trabalho realizado na sala de aula são premiadas, assim como a evolução das notas ao longo dos anos.

É com base nestas alterações que Filinto Lima acredita não haver casos de notas inflacionadas nas escolas públicas, ou, a haver, “serão pouquíssimas”.

Já Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE), recorda que a avaliação que as escolas fazem aos alunos tem em conta critérios que não cabem em duas horas de exame, sendo, por isso mesmo, “óbvio que tem de haver resultados diferentes” entre a avaliação interna e avaliação externa.