A GNR descarta o bullying como uma das causas que levou o jovem Nélson Antunes, de 15 anos, a pôr termo à vida, no último sábado. «A GNR fez um conjunto de diligências e, para já, descarta a possibilidade de bullying», assegurou fonte da Guarda, em declarações ao tvi24.pt.

A Guarda Nacional Republicana explicou ainda que todo o material de investigação recolhido «foi enviado para o tribunal». «Pode eventualmente o tribunal mandar instaurar uma investigação para apurar o que aconteceu», acrescentou a fonte contactada pelo tvi24.pt.

A conclusão da GNR surge apesar dos relatos de humilhação do jovem no recreio da escola, dias antes de ter cometido suicídio. Os jornais «Correio da Manhã» (CM) e «Jornal de Notícias» (JN) desta quarta-feira contam, citando colega de Nélson, que, na quinta-feira antes de o jovem se suicidar, ele foi colocado em tronco nu no recreio, baixaram-lhe as calças e deram-lhe palmadas no rabo.

«Ele ficou em cuecas, apanhou a roupa , vestiu-se e foi para as aulas sem dizer nada», conta um colega ao JN. Terá sido esse mesmo colega a denunciar a situação a um professor.

«Brincadeira dentro da escola»

Fausto Farinha , diretor do Agrupamento de Escolas Sá de Miranda, onde está integrada a EB 2,3 de Palmeira, fala de «uma brincadeira dentro da escola», sem revelar o tipo de situação em causa, mas assegura que «está a averiguar».

Ouvida pelo tvi24.pt a CONFAP - Confederação Nacional das Associações de Pais sublinha que as diferentes crianças encaram as situações de bullying de diferentes formas. «Muitas vezes, não damos importância, porque consideramos situações «normais» entre crianças. Essas situações acabam por degenerar em situações graves. A gravidade de cada situação depende de cada criança. Umas suportam melhor as humilhações que outras», disse Jorge Ascenção.

Há também colegas que garantem que Nélson era maltratado e que já tinha ameaçado suicidar-se. «Era um rapaz muito amargurado e, de vez em quando, dizia que estava farto da vida e disto tudo», conta outra colega, citada pelo CM.

Outras situações de que Nélson seria alvo prendiam-se com os telemóveis e o seu constante desaparecimento. «Ele dizia que os perdia, mas toda a gente sabia que alguém os roubava», diz outro colega citado pelo JN. O pai, emigrante a passar férias em Portugal, ter-lhe-á dado um telemóvel no Natal que lhe terá sido roubado logo no reinício das aulas.

Acompanhamento psicológico reduzido

O jovem já tinha estado sinalizado pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Braga (CPCJ), mas as razões «nada teriam a ver com a vida escolar ou com bullying» e o processo foi encerrado em Setembro de 2012, garantiu Nélia Pereira, presidente da CPCJ de Braga ao tvi24.pt.

Nélson estaria medicado por um psiquiatra e tinha acompanhamento psicológico na escola. Mas, por causa da redução do número de psicólogos nas escolas, este acompanhamento não seria já muito frequente.

Nélson terá deixado duas cartas. De acordo com o JN, uma seria dirigida à namorada, em tons de despedida. A outra seria para os familiares, com indicações onde encontrar o corpo.

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