O presidente do Conselho de Escolas diz que ainda há muitos alunos sem aulas por causa do processo de contratação de docentes, um problema que pretende discutir com responsáveis do Ministério da Educação.

Duas semanas após o arranque do ano letivo, Manuel Esperança ainda está a fazer entrevistas para conseguir contratar quatro professores do ensino básico para uma das escolas do seu agrupamento.

«A situação dos professores já está melhor do que estava na semana passada, mas mesmo assim ainda tenho algumas dificuldades no que toca à contratação de professores do 1º ciclo. Está a fazer-me impressão ainda ter quatro turmas sem aulas. Chamei uma bateria de professores e hoje à tarde vou fazer as entrevistas», contou à Lusa Manuel Esperança, que é presidente do Conselho de Escolas mas também diretor do agrupamento de Benfica, em Lisboa.

Na escola da Boavista, existem quatro turmas que ainda não começaram as aulas. Manuel Esperança acredita que na próxima segunda-feira estas crianças possam finalmente começar a ir à escola.

«Esta é a terceira leva de entrevistas que faço a professores. Acho que hoje o problema fica resolvido, até porque chamei cerca de 30 professores para as entrevistas e só preciso de quatro», disse o responsável, explicando que alguns dos docentes que são chamados nem sequer aparecem.

Esta situação acontece porque as direções escolares têm de chamar os professores pela ordem de colocação e alguns já foram colocados noutras escolas ou vivem tão longe que não têm capacidade financeira para fazer a deslocação.

O presidente do Conselho de Escolas diz que o problema da contratação de professores é uma situação que se repete um pouco por todo o país, em especial em escolas TEIP (Territórios de Intervenção Prioritária) e escolas com contrato de associação.

«Existem situações diferentes consoante as escolas. Mas ainda faltam colocar muitos professores. As escolas que não têm um quadro de professores muito grande ainda têm de fazer mais contratações», explicou, anunciando que vai pedir uma reunião a responsáveis do Ministério da Educação e Ciência.

«Este é um assunto que faremos questão de colocar à tutela. Esta situação caótica não interessa a ninguém: Não é boa para a tutela, porque é ruído, não é bom para as crianças nem para os pais», sublinhou, lembrando que nos anos em que se realizam os concursos nacionais de colocação de professores, como aconteceu agora, é sempre mais confuso, como conta à Lusa.