O teto falso de uma sala de aula da Escola de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, ruiu parcialmente na quinta-feira por causa das infiltrações de água, disse à agência Lusa a diretora, Ana Mafalda Pernão.

«Por causa das infiltrações, porque tem estado constantemente a chover, os tetos falsos estão ensopados e ontem caiu um bocado do teto de uma sala. Já tinha caído outro antes», explicou a diretora, referindo que ninguém ficou ferido.

Os responsáveis do Conservatório têm denunciado o estado de degradação do edíficio e contestado a ausência de obras profundas num imóvel com claros sinais de degradação: chove num corredor e em três salas, mas estas continuam a ser utilizadas por professores e alunos.

«Há uns buracos nos tetos falsos, mas as salas continuam a ser usadas. Não posso deixar de as usar, tenho todas a cem por cento», referiu a responsável pela escola, garantindo que os pais e encarregados de educação dos alunos estão ao corrente da situação.

Em dezembro passado, a Escola de Música do Conservatório Nacional angariou cerca de 12.000 euros numa maratona de 18 horas de música intitulada «O Conservatório sai à rua» e que convidava os lisboetas a verificarem no local o motivo das queixas da direção.

A escola de música do Conservatório Nacional funciona no antigo Convento dos Caetanos, construído no século XVII, e os problemas no edífício são antigos, sendo necessárias, segundo a direção, intervenções no telhado, insonorização das salas, recuperação das janelas, aquecimento, porta de entrada e espaço para os alunos poderem praticar a nível individual.

Ana Mafalda Pernão afirmou à Lusa que o Ministério da Educação tem conhecimento do estado atual do edifício, mas não obteve da tutela qualquer resposta.

A diretora não adianta qualquer valor de verbas necessárias para intervenções no edifício, porque nunca foi feito nenhum caderno de encargos.

Apesar do peso histórico do edifício e da reputação a ele associado, Ana Mafalda Pernão não excluiu a hipótese de uma mudança de espaço: «Se for uma coisa, nova, sólida, dentro de Lisboa. Não sei, é preciso um diálogo.»