Por: tvi24 | 3- 11- 2011 20: 28
Encarregados de educação de uma escola de Viana do Castelo não aceitam que os filhos frequentem a mesma turma de um colega
de 13 anos, alegadamente violento, e 25 alunos faltaram hoje às aulas pelo terceiro dia consecutivo, noticia a Lusa.
«As
crianças ficam cá fora porque não há condições de segurança e vamos estar aqui enquanto não encontrarem uma solução. Para
os nossos filhos e para este rapaz, que também tem direito à escola, mas devidamente acompanhando», disse hoje à Lusa Célia
Marques, uma das mães que hoje, pelo terceiro dia esta semana, protestaram à porta da escola.
O caso arrasta-se desde
o início deste ano lectivo numa turma do sétimo ano da EB 2,3 e Secundária Pintor José de Brito, em Santa Marta de Portuzelo,
envolvendo um aluno descrito pelos restantes encarregados de educação como «problemático» e «violento» com os colegas, de
12 anos.
No ano lectivo 2009/2010 o rapaz frequentou aquela escola mas devido a alegados conflitos acabou por ser
transferido para outro estabelecimento de ensino do concelho, tendo regressado agora a Santa Marta de Portuzelo.
Em
Outubro passado, por agredir a pontapé um outro colega de turma, o rapaz foi suspenso durante dez dias, castigo que terminou
esta segunda-feira, quando estava previsto o regresso à escola.
Contudo, os encarregados de educação dos alunos daquela
turma impediram que os restantes fossem às aulas, num protesto que estão dispostos a manter nos próximos dias até que seja
apresentado um plano de acompanhamento e «garantidas as condições de segurança».
«Já apresentei queixa na GNR e
o caso foi encaminhado para o Ministério Público. Não se admite que as crianças venham aqui para aprender e cheguem cheias
de medo de serem agredidas. Isto foi a gota de água», disse à Lusa Maria Parente, mãe da criança agredida em Outubro.
Para
tentar desbloquear a situação, representantes da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) reuniram esta quarta-feira
na escola com encarregados de educação, do agrupamento escolar, da Segurança Social e da Comissão de Protecção de Crianças
e Jovens em Risco.
O menor é descrito por alguns técnicos que o acompanharam como «muito agressivo» com alunos, professores
e até com elementos da direcção da escola, registando um «forte absentismo» escolar.
«Ninguém nos apresentou uma
solução válida para garantir a segurança dos nossos filhos e o devido acompanhamento da criança. Aguardamos que nos seja apresentado
um plano de acompanhamento e enquanto isso não acontecer vamos continuar aqui à porta com os miúdos», disse ainda Célia Marques.
A
directora do Agrupamento de escolas da Pintor José de Brito admitiu à Lusa que a situação «já foi participada à tutela» e
que estão ser tomadas medidas, mas escusou-se a adiantar mais pormenores.
A mãe da criança reuniu hoje na escola,
com a direcção, e no final garantiu que o filho «tem sido excluído» pela restante turma e que «apesar de não ser nenhum santo,
também não é o monstro que querem fazer parecer».
«Teve algumas atitudes lamentáveis, como qualquer outra criança.
Não é motivo para este protesto, na minha opinião, e por isso amanhã [sexta-feira] vai regressar à escola», disse ainda a
mãe, preferindo não se identificar.
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