«Nenhuma Vida» é o título do livro de Urbano Tavares Rodrigues, falecido nesta sexta-feira em Lisboa, que será «publicado ainda este ano», anunciaram já nesta tarde as Publicações D. Quixote, editora do escritor.

«No início de julho passado [Urbano Tavares Rodrigues] fez chegar à sua editora, na Dom Quixote, aquele que será o seu último livro, Nenhuma Vida, a publicar ainda este ano», lê-se no comunidado da LeYa/Publicações D. Quixote.

A editora cita o prefácio da obra, escrito por Urbano Tavares Rodrigues, em que, a dada altura, escreve: «Daqui me vou despedindo, pouco a pouco, lutando com a minha angústia e vencendo-a, dizendo um maravilhado adeus à água fresca do mar e dos rios onde nadei, ao perfume das flores e das crianças, e à beleza das mulheres. Um cravo vermelho e a bandeira do meu Partido hão-de acompanhar-me e tudo será luz».

No mesmo comunicado, citado pela Lusa, a Publicações D. Quixote e o grupo editorial manifestam a sua «mais profunda tristeza» pelo falecimento do escritor.

«O desaparecimento de Urbano, a poucos meses de completar 90 anos, deixa-nos a todos mais pobres: perde-se um grande escritor, com uma obra vastíssima e inigualável; um intelectual de voz firme e convicta, capaz de acompanhar a evolução dos tempos e do mundo; um homem de uma coragem sem igual, resistente ao regime de Salazar, contra o qual lutou activamente, pagando, em alguns casos, um preço demasiado alto por tal ousadia».

«Com a morte de Urbano Tavares Rodrigues morre também um grande humanista, que acreditou, até ao fim, na bondade do ser humano», lê-se no mesmo comunicado.

«Urbano escreveu, leu, apresentou livros, publicou artigos em jornais, trabalhou, enfim, até ao fim da sua vida. É, também por isso, um exemplo para todos», finaliza o comunicado da LeYa/Publicações D. Quixote.