A falta de condições e de equipamento numa escola que pais, alunos e professores garantem ter um «ensino excelente» motivou esta sexta-feira a realização de um cordão humano em volta da Secundária de Ermesinde, concelho de Valongo.

«Temos bons resultados, merecemos uma escola boa!», lia-se numa das centenas de placas que os alunos da Secundária de Ermesinde empunhavam esta manhã ao longo de cerca de 800 metros, uma vez que o cordão humano envolveu toda a escola desde a rua António Ferreira Gomes, à avenida Primavera, passando pela rua Joaquim Ribeiro Teles.

Contando com os alunos, manifestaram-se cerca de 2.500 pessoas, desde professores a auxiliares, pais, autarcas de várias forças políticas, ex-estudantes desta escola e membros das forças vivas da freguesia de Ermesinde.

«Temos de lutar pelo melhor para nós e o melhor é uma escola com condições, porque já somos bons alunos», disse à Lusa Marina Lemos, de 14 anos, aluna do sétimo ano, para quem a falta de aquecimento, as paredes «podres» e as saídas «perigosas» de eletricidade são os principais problemas da escola.

Ao lado, Carla Oliveira, mãe de uma aluna do 10.º ano, contava que foi aluna da Secundária de Ermesinde e «poucas diferenças» encontra entre o seu tempo e o atual. Quer que a filha prossiga os estudos nesta escola mas a jovem já lhe pediu para sair: «Por causa das más condições, ela já me pediu para ver outras escolas. Mas eu gosto do ensino. Os professores são excelentes», disse.

Os «bons» resultados escolares dos alunos da Escola de Ermesinde foram confirmados à Lusa por Manuel Alves, professor de Matemática (nesta escola há 25 anos), e por Fátima Nogueira (em Ermesinde há 17 anos), docente de Filosofia.

«O ranking nacional fala por si. Estamos muito bem classificados. A escola tem bom ensino, as condições é que não acompanham. E é inaceitável que o Governo tenha intervencionado todas as escolas da Maia, algumas de Gondomar, e nenhuma de Valongo», lamentou Manuel Alves.

«Há um estudo da Faculdade de Ciências que diz que os melhores alunos que entraram nessa Faculdade saíram desta escola», completou Fátima Nogueira.

Atualmente a Secundária de Ermesinde é frequentada por cerca de 1500 alunos, mas este já foi um estabelecimento de ensino sobrelotado, tendo mais de 2700, de acordo com o diretor da escola, Álvaro Pereira, que esta sexta-feira lamentou a «fuga» de estudantes para localidades vizinhas.