"Como viver durante três meses" - é assim que Rúben Dias, um piloto e empreendedor que vive no Canadá, resume a volta o mundo que completou no dia 8 de agosto. Foram 60 mil quilómetros, 42 países e mais de 300 horas de voo que permitiram ao piloto bater dois recordes mundiais. 

A viagem começou na Colúmbia Britânica, uma província do Canadá, no dia 2 de maio, e terminou 97 dias depois na "casa de partida". Ao lado esteve sempre Mischa Gelb, o co-piloto que o ajudou a completar esta epopeia. 

O Robinson R66, o helicóptero pilotado por Rúben, voou por cima de oceanos, desertos, florestas e cidades. Em entrevista à TVI24, o piloto destaca três países como aqueles em que se deslumbrou com as mais belas paisagens. 

Colômbia, Gronelândia e Myanmar são os países a que quero voltar e explorar profundamente."

Rúben destaca a Colômbia pela "paisagem impressionante, com floresta fechada por explorar". No caso da Gronelândia, fala de um território "único, um outro planeta, mas muito agreste". O terceiro país destacado, o Myanmar, é considerado "um território por explorar, com um verde intenso" que atraiu o piloto. 

Os problemas

A viagem contou com alguns episódios menos bons, mas Rúben considera-os "momentos mais stressantes, que quase tocaram o mau". Por isso, o piloto conclui que os melhores momentos que viveu foram "aqueles em que arranjaram soluções para os problemas". 

A Rússia tem regras de aviação absurdas e eles sabem que não se podem cumprir", diz o piloto português

A Rússia é um dos países que Rúben destaca pela negativa, um território que não considera como "ideal para voar" devido aos vários constrangimentos e regras que considera absurdas. O português conta que só com a ajuda de pilotos conseguiu "cumprir parcialmente" o plano de voo traçado. 

Uma das histórias que Rúben faz questão de contar é a preparação da passagem pelo Paquistão, um episódio digno de um guião de um filme de James Bond. As autoridades do Paquistão demoraram vários dias a autorizar a entrada dos pilotos no país e foi um maleteiro de um hotel do Dubai que resolveu a questão.

Os serviços secretos do Paquistão salvaram-nos a vida", conta Rúben Dias.

O homem contactou um conhecido, com alguma influência no país, que permitiu a entrada. Já no Paquistão foram os serviços secretos que confiaram no piloto e permitiram a estadia no país antes de descolarem rumo à Índia. Rúben confessa que ficou "amigo da inteligência paquistanesa".

Os recordes

O piloto conseguiu bater dois recordes mundiais. Rúben e Mischa fizeram a volta ao mundo mais rápida, de helicóptero, entre dois pontos distintos de toda a história da aviação civil. Os pilotos conseguiram ainda percorrer a mais longa distância com um helicóptero, um total de 60 065 quilómetros.

É uma viagem que se faz uma vez na vida apenas", defende Rúben Dias

Rúben diz que dificilmente voltará a dar uma volta ao mundo, considera que é uma experiência única que "viveu no momento", mas espera explorar alguns dos países que sobrevoou. Por agora, vai dar palestras e convencer a população a mudar hábitos através do projeto EPIC (Empowering People Improving Change). 

O piloto promete lançar um livro e contar na primeira pessoa todas as histórias da epopeia que o levou pelos cinco continentes durante 97 dias.