Uma aposta num distinto clube inglês do século XIX levou o distinto Phileas Fogg a sair da sua imensa zona de conforto e a fazer-se à estrada e ao mar, contra ventos e marés, para dar "A volta ao mundo em 80 dias". Consigo, seguiu o empregado Passepartout. E conseguiram voltar a Londres, após 80 dias de peripécias, segundo nos conta o clássico romance do francês Jules Verne.

Rúben Dias é português. Neste século e nestes dias, também quer dar uma volta ao mundo, mas de helicóptero. E, em confronto com a personagem Phileas Fogg, do romance de Jules Verne, se fez uma aposta, fê-la consigo mesmo. Ou seja, vai a partir de 1 de Maio, concretizar um desejo antigo.

Esta inspiração veio há 30 anos. Sempre tive esta vontade de o fazer e agora chega o momento em que há possibilidade e recursos", salienta em exclusivo à TVI24, Rúben Dias, piloto aeronáutico português, a viver no Canadá há mais de cinco anos.

Agora, o projeto EPIC vai finalmente descolar. Leva a bordo Rúben Dias, o filho Diogo e o amigo Mischa Gelb, também piloto de helicópteros e instrutor, que formou o português nesta área aeronáutica.

Sou piloto de avião. Tirei a licença em Portugal, nos anos 90. Depois, como vivo no Canadá há mais de cinco anos decidi tirar a licença de helicóptero cá. E uma vez, estava a fazer a minha formação com o piloto instrutor e dono da escola e disse-lhe que tinha este sonho, de dar a volta ao mundo. E ele disse-me que também o tinha. E vai daí, vamos fazê-lo", contou Rúben Dias à TVI24.

Decisão assumida e tomada, passados "dois anos de preparação", os pilotos estão apostos para descolar. Será dia 1 de Maio, em Whistler, no Canadá. A bordo seguirá também Diogo Dias. "O meu filho está muito ligado à fotografia e achámos que, pela viagem em si, terá oportunidade de captar boas imagens para o nosso blog diário".

Projeto EPIC

De Whistler, no Canadá, até ao regresso, os três irão viajar de helicóptero, segundo o plano de viagem, durante 84 dias. Com paragens em mais de 40 países.

A aventura será documentada, num site e blog, e transmitida em canais da internet como o YouTube e tem propósitos assumidos.

EPIC tem quatro letras e serve como sigla de Empowering People & Inspiring Change (Capacitar as Pessoas e Inspirar a Mudança). Temos um propósito nesta viagem que se deve ao facto de, eu e o Mischa Gelb, termos mais de 20 anos como empresários. Começámos  muito cedo. Ele comprou o seu primeiro helicóptero aos 18 anos e eu criei a minha primeira empresa em Portugal aos 21", salienta Rúben Dias.

Ao longo da viagem que terminará a 13 de julho no Canadá, os tripulantes irão partilhar também as suas experiências "em diferentes universidades ao longo do mundo, de forma a inspirar os jovens para começarem muito cedo no empreendedorismo".

Por outro lado, também somos dois apaixonados pela vida saudável e temos essa mensagem para partilhar", acrescenta o piloto português.

Portugal: 6 de junho

No plano de voo para 84 dias de helicópetro, os três aventureiros do EPIC deverã aterrar em Portugal a 6 de junho.

À TVI24, Rúben Dias, na véspera da partida, salienta que a maior parte da bagagem está dedicada e reservada ao que está "relacionado com segurança. Temos um barco de salvamento e esse barco tem de estar presente. Temos duas ligações por satélite, uma no barco e outra nop cockpit, porque todos os aspetos de segurança não podem faltar.

Quanto a roupa temos um pacote pequenino, que não pesa mais de sete quilos. Vamos ter de ir lavanado, porque temos pouco espaço e não se pode levar muito peso", reflete Rúben Dias.

A postos para a aventura, os três integrantes da viagem EPIC carregam cada vez mais ansiedade.

Isto é viver o antes e viver também o durante. E viver o durante está quase. E é natural que sintamos uma ansiedade positiva, porque temos uma aventura fabulosa pela frente".