Fazer chichi na cama é uma situação embaraçosa para as crianças e uma dor de cabeça para a família. Com a chegada do verão e as dormidas em casa de amigos e em campos de férias, a situação pode tornar-se desconfortável, mas há formas de contornar o problema.

A enurese noturna é um disfunção que afeta cerca de 80 mil crianças em Portugal e pode ter causas emocionais ou fisiológicas. Cerca de 5 crianças em cada turma de ensino básico sofrem do problema. Estudos revelam que a condição não é rara, mas que “é uma situação escamoteada, porque as crianças que sofrem não vão contar às outras”, refere a pediatra Cristina Rio.
 

“Nas crianças que não têm este problema há um aumento de uma substância que é a que ajuda a controlar a bexiga e nas crianças que são enuréticas esse pico não existe. Assim, a criança não consegue diferenciar o período do dia e da noite e produz muita urina durante o período noturno», afirma a pediatra, acrescentando que “a criança não tem consciência e não deve ser penalizada por isso”.


O problema começa a tornar-se preocupante quando a criança atinge os 5 anos, altura em que entra para o ensino básico.
 

“A enurese pode e deve ser tratada, porque vai condicionar a auto-imagem, grande perturbação e ansiedade no seio da família. Podemos prevenir perturbações no desenvolvimento da personalidade da criança, ansiedade e problemas de auto-estima, depressões e outros sintomas psicológicos com o tratamento”.


Para resolver o problema, os pais devem aplicar algumas estratégias como a gestão dos líquidos ingeridos pela criança, evitando uma grande quantidade durante e depois da hora do jantar. As bebidas gaseificadas ou com excesso de açúcar devem também ser evitadas pois podem agravar a condição.

Os pais devem também fazer um calendário diário com a criança, combinando um horário para as suas necessidades. Estratégias de incentivo e recompensa costumam também ter efeito. Em casos mais graves ou de mudanças repentinas na rotina da criança, pode ainda ser administrado o medicamento desmopressina.

As soluções costumam ter efeitos a longo prazo, sendo que “com a idade vai atenuar". "A partir dos 12 anos sabemos que há apenas 0,5 a 1% em termos de prevalência", garante a médica.

Durante este mês está em marcha uma campanha de sensibilização para o problema associada ao projeto “Pensar é crescer”.