Dezenas de trabalhadores e reformados da EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário) bloquearam, esta terça-feira, a linha ferroviária do Norte, no Entroncamento, impedindo a circulação do comboio Intercidades, apurou a TVI no local.

A PSP esteve no local a tentar demover os manifestantes do bloqueio da linha e cerca de 15 minutos depois conseguiu retomar a circulação na linha.

Na base do protesto esteve «o corte dos salários e dos direitos» no sector, assim como «as políticas de privatização/concessão e destruição do serviço público ferroviário».

Centenas de trabalhadores da EMEF, ativos e reformados, desfilaram hoje na «maior manifestação dos últimos 30 anos no Entroncamento» exigindo respeito pelos seus direitos, mas também que o país invista na construção de material ferroviário.

A manifestação encabeçada pelo secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, e na qual se exibia à frente um cartaz dizendo «não à privatização da EMEF [Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário], ao fecho de oficinas, à redução de trabalhadores», partiu das instalações da empresa em direção à Rua do Comércio, tendo engrossado junto à estação ferroviária com um grupo de reformados.

Arménio Carlos frisou que a manifestação de hoje mostra que os trabalhadores da ferrovia não estão «nem satisfeitos nem resignados em relação ao que pode ser a EMEF» para e economia do país e que apoiam a proposta da CGTP de investimento para que a empresa possa construir material ferroviário, contribuindo para a criação de emprego e a redução das importações e da dívida.

«Ainda recentemente alguém dizia que era necessário ouvir as pessoas na rua. Bem estamos aqui para afirmar junto do Governo: ouçam a voz dos ferroviários e ouçam a sua disponibilidade e as propostas para que a EMEF deixe de ser uma empresa que faz apenas a manutenção do material circulante para passar a ser uma empresa que construa material ferroviário circulante», disse o líder da central sindical.

Arménio Carlos lembrou que desde o encerramento da Sorefame o país ficou sem qualquer empresa com capacidade de construção de material ferroviário e alertou para a necessidade, «dentro de breves anos», de renovação das frotas da CP - Comboios de Portugal e dos metropolitanos de Lisboa e do Porto.

«Não havendo uma empresa que construa em Portugal, as carruagens terão que ser construídas no exterior o que quer dizer aumentar a dívida», frisou, sublinhando que a EMEF tem um projeto técnico, trabalhadores competentes, experiência acumulada e «vontade de pôr o país a andar para a frente».

«Se o Governo não está interessado no que estamos a propor, então estamos perante uma atitude criminosa contra a produção nacional», disse, apelando aos governantes para que se «sentem» com os sindicatos e verifiquem se a proposta é válida e se pode ser implementada.

Para o líder da CGTP, a manifestação de hoje constituiu um «exemplo de participação cívica», de quem quer «dinamizar o setor produtivo e pôr o país a andar para a frente».

«Ouçam os trabalhadores, aprendam qualquer coisa», afirmou.

A manifestação de hoje inseriu-se na semana nacional de protesto e luta da CGTP, que decorre até sábado com greves, paralisações e concentrações.

Na manifestação fizeram-se ouvir palavras de ordem como «lutar, lutar contra quem nos quer roubar», «fartos de aldrabões, queremos eleições», «contra a exploração, a luta é solução», «quem luta sempre alcança, queremos a mudança», entre outras, como conta a Lusa.