Depois do arquivamento do chamado «caso do Meco» em que seis estudantes da Universidade Lusófona morreram afogados, João Gouveia, o «Dux», que esteve presente na praia na noite de 15 de dezembro e o único que aparentemente sobreviveu, quebrou o silêncio numa entrevista à revista «Sábado» desta quinta-feira. Um silêncio que, revelou, ter sido aconselhado pela psicóloga. Não falou com os meios de comunicação social nem com as famílias durante os meses em que decorreu o inquérito e a médica também achou melhor que o estudante universitário não fosse aos funerais.

O jovem explicou, ou melhor, não consegue explicar como é que sobreviveu ao mar naquela noite: «Já falei com especialistas, uns disseram-me que foi por ter feito bodyboard, outros consideram que o facto de ter tentado salvar a Pocahontas fez com que a minha cabeça se libertasse do pânico de me salvar a mim. O facto de não ter lutado a partir de certo momento... Eu já estava praticamente a desistir, estava a ver tudo negro... no momento em que eu já tinha desistido, já não via mesmo... de repente, fui puxado pelo mar, não sei... não sei...», cita a revista. E que «também há quem defenda que ter conseguido libertar-me da capa foi decisivo».

João Gouveia lembra-se ainda de ter encontrado o gorro: «Se não tenho encontrado o gorro onde estavam os telemóveis também não tinha sobrevivido. Saí da água a arrastar-me e a vomitar, sem forças nenhumas... Estava a adormecer, desmaiar, não sei...». No gorro estavam «o meu telemóvel e o da Catarina». E ligou para o 112.

João Gouveia acrescentou ainda que antes do momento em que foram levados pela onda «estavam todos sentados em meia-lua» e que ele e o Tiago «tinham acabado de se levantar».

O aluno referiu que o «desnível» não permitia ver o perigo que espreitava no mar, enquanto «conversavam» e que a ideia de ir para a praia «não foi sua».



Nos tempos a seguir à tragédia, o universitário disse que a sua «vida parou». Desistiu do curso por este ano, mas tem estado a trabalhar, em Lisboa, a par da presença nas «diligências» do inquérito: «Mais de trinta horas em interrogatório, de duas idas ao Meco para reconstituições, muita coisa.»