O terreno da antiga Feira Popular de Lisboa, com uma área de construção de 143 mil metros quadrados, foi, esta quarta-feira, colocado em «pré-anúncio» de venda na internet, para fomentar o interesse dos investidores, segundo um diretor municipal.

«O que estamos a fazer é um pré-anúncio apenas com a referência do terreno, da área e da localização, de modo a que haja mais interessados», afirmou o diretor do Departamento de Política de Solos e Valorização Patrimonial da Câmara de Lisboa, António Furtado, em declarações à agência Lusa.

O município colocou hoje no site cidadedeoportunidades.cm-lisboa.pt informações sobre o terreno, localizado em Entrecampos, abrangendo as avenidas das Forças Armadas, da República e 5 de Outubro.

De acordo com a publicação, feita em inglês, «esta é a mais recente grande oportunidade de efetuar um negócio imobiliário no centro de Lisboa».

«Temos a clara sensação de que não será coisa para um pequeno ou médio investidor, mas para grandes investidores», daí a necessidade de «penetração no mercado internacional», justificou António Furtado.

Ainda assim, o responsável frisou que «não há data nem preço» definidos para a hasta pública na qual vai ser vendido o terreno, já que as condições terão de «ser aprovadas pelos órgãos municipais [Câmara e Assembleia Municipal] e depois objeto de publicação».

Na informação divulgada, são apresentados como possíveis usos a habitação, o comércio, os serviços e a hotelaria.

Porém, dada a sua dimensão, o terreno «poderia consagrar todos estes usos e não apenas um», sublinhou o diretor do Departamento de Política de Solos e Valorização Patrimonial.

Paralelamente à descrição do espaço, foi publicado um vídeo promocional que mostra imagens de zonas da cidade como a baixa pombalina, o Marquês de Pombal, a Avenida Fontes Pereira de Melo e o terreno em si, atualmente desocupado.

No vídeo, é também indicado que este espaço se encontra a «cinco minutos do aeroporto» da capital.

Na apresentação do orçamento para 2015, feita em novembro do ano passado, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), anunciou que a autarquia pretendia alienar os terrenos da antiga Feira Popular durante este ano.

Em março de 2014, a Assembleia Municipal de Lisboa autorizou a Câmara a pagar cerca de 101 milhões de euros à empresa Bragaparques para a aquisição dos terrenos da antiga Feira Popular e do Parque Mayer.

Na origem deste processo está a permuta, há uma década, de parte dos terrenos da antiga Feira Popular (então propriedade municipal) pelos do Parque Mayer (que pertenciam à Bragaparques).

O negócio envolveu ainda a venda em hasta pública do lote restante da Feira Popular à Bragaparques, depois de a empresa ter exercido o direito de preferência, passando a deter a totalidade do espaço.

A Feira Popular abriu para a sua última temporada a 28 de março de 2003. Em outubro desse ano fechou portas e, segundo o projeto da Bragaparques, deveria ter-se seguido a construção de um empreendimento com cerca de 700 habitações, comércio e serviços.