O ministro da Presidência acusou esta quinta-feira o PS de encarar os entendimentos como uma via de sentido único, em que o Governo concorda com as suas propostas, e pediu aos socialistas que mudem de atitude.

Luís Marques Guedes respondeu assim ao secretário-geral do PS, António José Seguro, que apontou propostas do seu partido de alteração ao Orçamento do Estado para 2014 como «um teste à verdadeira vontade de compromisso do Governo».

Na conferência de imprensa sobre as conclusões do Conselho de Ministros, questionado sobre esta posição de António José Seguro, o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares comentou: «O PS muitas vezes tem esta atitude curiosa de achar que os entendimentos são uma via de um único sentido».

«Para o PS, só há entendimentos quando o Governo ou a maioria concorda com as propostas do PS. O que eu nunca vi o PS a disponibilizar-se a concordar com as propostas do Governo ou da maioria. E era bom que houvesse essa lealdade também em termos, não apenas de discurso, mas fundamentalmente de prática, no sentido de procurar verdadeiramente um entendimento para bem do país e para bem do desenvolvimento de que todos precisamos», acrescentou.

Segundo Marques Guedes, tem havido «recusas sistemáticas por parte do PS de chegar a qualquer tipo de entendimento, sejam eles promovidos pelo senhor Presidente da República, sejam eles regular e sistematicamente oferecidos pelo Governo relativamente a todas as matérias que são relevantes no médio e no longo prazo para o país».

«Portanto, não dou a essas declarações mais valor do que uma simples declaração de natureza estritamente política e conjuntural. O que era bom, de facto, e que o Governo não deixará nunca de procurar são entendimentos de médio longo prazo com o PS», concluiu.

O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares considerou que «o PS, como principal partido da oposição, é fundamental para a estabilidade de que o país precisa» e deve disponibilizar-se para entendimentos com a atual maioria PSD/CDS-PP porque «é, senão o único, pelo menos seguramente o maior responsável pela situação em que o país se encontra», cita a Lusa.