Quase metade (47%) dos alunos do 9.º ano que fizeram o teste de inglês «Key for schools» demonstraram ter conhecimentos da língua inferiores aos exigidos no 7.º ano, segundo dados do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE).

Alunos do 3.º ano vão ter inglês obrigatório já em 2015

Apenas um em cada quatro estudantes do 9.º ano (25%) - para quem a prova foi obrigatória - teve uma nota correspondente ao seu nível de ensino (B1) no teste «kids for schools», realizado pelo «Cambridge English Language Assessment», revelou hoje o presidente do IAVE, Hélder de Sousa.

O teste realizado no final de abril, por cerca de 101 mil alunos, foi desenhado para um nível A2, o que equivale, globalmente, aos conhecimentos que os estudantes portugueses devem ter no 7.º ano de escolaridade.

Cerca de 20% conseguiu atingir o nível (A2) e apenas 25% dos estudantes chegou ao nível B1, que corresponde aos conhecimentos exigidos no 9.º ano do ensino de inglês em Portugal, segundo os mesmos dados do IAVE.

Este teste era obrigatório para todos os alunos do 9.º ano e opcional para os estudantes com idades compreendidas entre os 11 e os 17 anos.

Os melhores resultados registaram-se precisamente entre os que ainda não estavam a frequentar o 9.º ano: 21,1% ficaram nos níveis Pré-A1 e A1; 42,2% ficaram no nível A2 e ao B1 chegaram 36,7% dos estudantes.

«Nós temos níveis preocupantes do domínio da língua inglesa no conjunto muito grande de alunos e isso significa que o modelo que tínhamos até 2011 tem agora de ser mudado», reconheceu o ministro da Educação, Nuno Crato.

Para o ministro, os dados revelam «dois blocos de alunos»: um de alunos que «teve a sorte» de ter tido inglês ao longo de cinco anos de escolaridade e por isso teve bons resultados e um outro que revelou dificuldades «porque no 1.º ciclo teve uma exposição parcelar ao inglês, porque no 2.º ciclo tinha um carácter muito variável e porque no 3.º ciclo uns terão tido inglês e outros não».

Hélder de Sousa revelou ainda diferenças consoante as regiões do país, como a região do Tâmega onde cerca de 40% dos alunos teve uma nota fraca e a zona de Grande Lisboa, Baixo Mondego, Grande Porto ou Setúbal com cerca de 20% dos alunos com nota fraca.

Recordando o gráfico apresentado pelo IAVE, Nuno Crato sublinhou a necessidade de alterar essa realidade: «Pretendemos que as regiões do país sejam mais homogéneas e para isso temos de introduzir bem o inglês no 1.º ciclo curricular e com professores formados para o efeito».

No ano letivo de 2015/2016, o ensino do inglês deverá passar a ser obrigatório para os alunos a partir do 3.º ano de escolaridade.