A maioria das escolas onde os alunos começaram mais tarde algumas disciplinas, devido aos atrasos na colocação de professores, já está a compensar os seus estudantes, que têm agora mais aulas por semana, segundo os diretores escolares.

Os problemas no processo de colocação de professores levaram a que muitos alunos começassem a ter todas as disciplinas apenas no final de outubro, enquanto noutras escolas as aulas começaram na data prevista, em meados de setembro.

Para minimizar o impacto das horas perdidas, os diretores escolares decidiram dar aulas de compensação aos alunos com matérias em atraso. «As escolas que tinham recursos próprios já começaram há algum tempo a compensar os seus alunos», contou à Lusa o vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.

As restantes escolas, que segundo Filinto Lima «são a maioria», tiveram de pedir apoio ao Ministério da Educação e Ciência (MEC), para pôr em prática soluções como contratar novos professores, aumentar as horas de trabalho dos docentes contratados ou pagar horas extraordinárias aos professores dos quadros.

Segundo o ministério, «muitos dos pedidos das escolas já foram analisados e em grande maioria aprovados. A compensação pedagógica já está em curso na maior parte das escolas que dele necessitam».

A informação é corroborada por Filinto Lima que disse que, nos últimos quinze dias, os alunos prejudicados começaram gradualmente a ter aulas extra.

Uma das soluções foi «aumentar uma hora no horário semanal dos alunos do 6.º e 9.º e secundário» e, no caso dos alunos do 4.º ano, os diretores escolares optaram por colocar mais um professor na sala de aula para apoiar o docente titular, contou o representante da ANDAEP.

«A grande preocupação das escolas neste momento são os alunos que vão fazer exame este ano, porque queremos que cheguem a maio (mês das provas) e estejam em pé de igualdade em relação aos alunos que estão a ter aulas desde setembro», explicou Filinto Lima.

Em relação aos alunos dos outros anos de ensino, as escolas estarão a optar por diluir as matérias ao longo do ciclo de ensino que frequentam: «Um aluno do 5.º ano, por exemplo, tem dois anos para recuperar a matéria», explicou Filinto Lima, admitindo que «não é o ideal, mas este ano não se pode falar em situações ideais, mas sim em remedeios».

Para a ANDAEP, os problemas sentidos no arranque do ano letivo devem agora ser usados para pensar numa reforma do sistema de colocação de professores e perceber o que falhou na nova Bolsa de Contratação de Escolas (NCE).

Segundo Filinto Lima, a ANDAEP irá em breve apresentar ao MEC uma lista com as falhas que detetaram na BCE e algumas soluções.

Um dos problemas detetados foi o mesmo professor ter recebido mais do que um email para colocação numa escola e por isso a ANDAEP defende que cada docente só pode ter acesso a um horário.

Outro dos problemas apontados por Filinto Lima foi o de os dados colocados pelos professores na plataforma não terem sido previamente validados pelas escolas.