Algumas universidades portuguesas estão em Luanda com o objetivo de seduzir os estudantes angolanos para que venham frequentar cursos superiores em Portugal. Na manga, levam com eles o novo Estatuto do Estudante Internacional, com vagas próprias de acesso, e todas as explicações sobre o mesmo.

É o caso da Universidade de Lisboa, que se apresenta na Educa, a feira de Educação de Angola, como a maior da Península Ibérica, com 18 escolas e 50.000 alunos, dos quais mais de 300 são já angolanos. «É para dar a conhecer a universidade um pouco mais, estreitar relações que já existem há muitos anos, quer na área científica, quer na área pedagógica, em que houve já a troca de muitos alunos, e também, como é óbvio, angariar novos aluno», disse à Lusa a diretora do Departamento de Relações Externas e Internacionais da Universidade de Lisboa, Isabel França.

Esta universidade, com cinco das suas escolas na feira angolana, é uma das 44 instituições e empresas portuguesas representadas na IV edição da Educa, que decorre até domingo.

As novas regras aplicadas desde o início do ano em Portugal para o acesso dos estudantes estrangeiros aos cursos do primeiro ciclo (licenciaturas), em termos de concurso e propinas, abriu uma janela de oportunidade. «O Estatuto do Estudante Internacional veio facilitar, porque eles [candidatos] não necessitam de ir através do concurso geral de acesso, podem-no fazer diretamente nas universidades», admite Isabel França, por entre dezenas de estudantes angolanos potencialmente interessados nos cursos da instituição, envolvendo também mestrados e doutoramentos.

Logo ao lado da Universidade de Lisboa, na área reservada à representação portuguesa, cenário idêntico vive-se na exposição do Instituto Politécnico do Porto. «Estamos aqui sobretudo para abrir o nosso leque de estudantes», explicou à Lusa Cecília Sequeira, do gabinete de orientação académica daquele instituto, o maior politécnico de Portugal, com sete escolas superiores.

Conta com cerca de 17.000 estudantes em cursos de engenharia, contabilidade, gestão, educação, teatro, música, saúde e informática. O mercado angolano representa uma nova oportunidade para a instituição. «Agora, com o estatuto internacional, naturalmente que interessa trazer para Portugal outro estudante, que não o português», enfatizou, admitindo o interesse, igualmente, numa nova fonte de receita. 

«Mas estes estudantes não vão ocupar os nossos [estudantes portugueses] lugares, que fique claro», garantiu, enquanto distribui os últimos panfletos disponíveis. «Está a correr muito bem. Já estamos sem material promocional e com uma lista considerável de contactos a fazer». Admite ainda que o interesse dos estudantes angolanos está, neste caso, concentrado sobretudo nas licenciaturas em engenharia, de informática e civil.

O Instituto Politécnico de Coimbra ou o Instituto Superior de Ciências Educativas (ISCE) estão igualmente representados na maior feira angolana do setor. No caso do ISCE, existe mesmo uma parceria com o Instituto de Formação de Quadros e com o Ministério da Educação para ministrar em Angola pós-graduações na área do ensino e mestrados a estudantes angolanos, com a defesa dos cursos em Portugal. Ao abrigo deste acordo, já foram formados pelo ISCE cerca de 1.500 quadros angolanos, em várias províncias do país, nos últimos anos.

Portugal lidera a comitiva internacional presente na feira de Luanda, entre 180 empresas e instituições angolanas e estrangeiras.