Os representantes das Universidades e Institutos Politécnicos admitem que este ano sobrem ainda mais vagas do que em 2012, ano em que ultrapassaram as oito mil, tendo em conta a redução de alunos que se deverá candidatar ao superior.

As vagas para o Ensino Superior em Portugal voltaram a baixar pelo segundo ano consecutivo, estando disponíveis 51.461 lugares para a candidatura à primeira fase de acesso, que começa na quarta-feira.

Em relação ao ano passado, há menos 837 vagas mas, para os presidentes do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), a redução deveria ser ainda maior.

Os presidentes do CRUP e CCISP admitem que este ano o número de vagas sobrantes possa ser igual ou superior ao do ano passado, quando ficaram por preencher 8.547 lugares.

«Eu prevejo que vão ficar vagas por preencher e não ficaria nada surpreendido se fossem muito semelhantes às do ano passado», disse à Lusa António Rendas, presidente do CRUP, lembrando a redução demográfica e a falta de aproveitamento escolar dos alunos do 12º ano.

A opinião é partilhada pelo presidente do CCISP, Joaquim Mourato, que se baseia no número de alunos que este ano fizeram as provas de acesso ao superior: ¿Há menos candidatos e, por isso, vão sobrar tantas ou mais vagas do que no ano passado¿.

Os dois representantes criticam duramente o despacho ministerial que definiu as normas para as vagas. Os presidentes contestam o facto de o diploma praticamente não ter tido em conta as suas propostas, de ter critérios ¿que obrigam a alguns ajustes em instituições que não têm problemas de vagas¿ e de ter sido publicado tarde de mais.

No caso das propostas feitas pelo CRUP, António Rendas diz que «apenas foi acolhido um ponto das várias páginas que a nossa carta continha».

O despacho ministerial sublinha a importância de os cursos terem um elevado grau de empregabilidade. Mas para os dois responsáveis, as regras não foram bem definidas.

António Rendas lamenta que esse item tenha em conta apenas os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), quando «existem outras fontes de informação, como os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e das próprias instituições que fazem inquéritos personalizados».

O responsável critica que não se usem os «dados das próprias universidades mas sim do IEFP, que são os que existem, mas não correspondem à taxa de desemprego».

«Se vamos tomar decisões para aumentar ou reduzir o número de vagas baseando em premissas que não são as mais adequadas, podemos perpetuar o sistema e não resolvê-lo», refere.

O CCISP tinha proposto ao ministério que fosse definida uma redução de vagas igual para todos os estabelecimentos de ensino, através da definição de um valor percentual a cortar. Mas a proposta não foi acolhida no despacho.

Para Joaquim Mourato, o Governo vai agravar a desertificação do interior: «Neste momento, o interior, de Bragança e Beja representa pouco mais de 10% do Ensino Superior e o despacho de vagas vem acentuar ainda mais essa tendência», lamentou.

De acordo com os dados disponibilizados pelo Ministério da Educação e Ciência, há uma redução de 837 vagas, sendo que cerca de 700 são em cursos politécnicos.

Os dois representantes criticam ainda que o despacho tenha sido publicado pouco antes do início do processo de preparação da abertura dos cursos para o próximo ano letivo, noticia a Lusa.