Já tinham ameaçado e vão mesmo avançar com uma paralisação. Os professores do ensino superior e investigadores vão fazer greve dia 22 para alertar para “os graves problemas que estão a afetar o ensino superior e a ciência”, adiantou à Lusa o Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), António Vicente.

“No dia 22 iremos não só ter a greve como uma ação para declarar o encerramento do ano letivo em que daremos também a conhecer um conjunto de propostas que foram aprovadas e que iremos então apresentar à comunidade em geral e que depois enviar aos partidos políticos candidatos às eleições”


O Conselho Nacional do sindicato reuniu-se hoje na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa, para decidir que ações tomar contra os problemas que consideram afetar o ensino superior e a ciência.

António Vicente referiu que o SNESup pretende chamar a atenção para problemas como a precariedade, que afeta 50% dos docentes do ensino superior, ou 80% se se tiver em conta apenas o ensino superior privado, a carga letiva excessiva e a falta de financiamento para ensino superior e ciência.

“São problemas de tal maneira graves que no dia seguinte ao início das aulas em muitas das instituições será necessário declarar o encerramento do ano letivo, porque não há condições para que ele possa prosseguir de forma normal e com a dignidade que seria desejável. Há uma situação de muita instabilidade que importa resolver rapidamente”.


O agendamento de novas ações de protesto fica dependente “do que acontecer em termos de resultados eleitorais”. O sindicato espera que o próximo Governo tenha abertura para resolver os problemas.

António Vicente disse à Lusa que acredita que a greve de dia 22 será “um momento muito participado”, com grande adesão dos docentes e investigadores.

No início desta semana, o mesmo responsável disse estar preocupado com o facto de muitos professores que não concluíram doutoramento possam ser dispensados. Por agora, o sindicato sabe apenas que há 1.200 professores abrangidos pelo regime transitório que correm esse risco, e que já há vários casos de docentes que perderam o contrato com as instituições devido ao incumprimento desta exigência.

António Vicente lembrou ainda que este ano houve um aumento significativo do número de  alunos colocados no ensino superior na 1.ª fase do concurso nacional de acesso e deixou um alerta:
“Se mantivermos esta tendência de aumento de número de alunos colocados, não podemos continuar a perder professores, porque as instituições irão ficar sem condições para poder dar resposta a este aumento da procura e isso preocupa-nos muito”.

O presidente do SNESup lamentou ainda que o ensino superior e a ciência tenham ficado praticamente ausentes dos programas eleitorais. 

“Estamos a entrar na reta final da campanha para as legislativas e daquilo que se vai conhecendo de propostas dos diferentes partidos são demasiado vagas sobre o ensino superior e ciência. É uma área que suscita pouco interesse, o que naturalmente nos preocupa”, lamentou.