O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, considerou hoje ser "secundária" e "não crítica" a questão da possível compensação às universidades, devido ao congelamento das propinas, destacando como meta "investir na atividade científica", para "atrair jovens".

Questionado, no Porto, à margem de um debate sobre os 30 anos da integração de Portugal na União Europeia, sobre se o Estado estaria a equacionar compensar as universidades por ter decidido congelar as propinas, Manuel Heitor referiu que "em causa não está nenhuma compensação", vincando sempre como "central" o investimento no conhecimento.

Essa [eventual compensação] é uma questão secundária, não é uma questão crítica. Temos de investir na atividade científica. Portugal, nos últimos cinco anos, reduziu o investimento global que chegou a atingir 1,6% do PIB [Produto Interno Bruto] para 1,3% e por isso afastamo-nos da média europeia e esse é que é o esforço coletivo. Trazer mais jovens para o Ensino Superior e promovermos a cultura científica na população e nas empresas", referiu o governante.

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Em entrevista ao Económico, o reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz Serra, disse não ter "nada contra o congelamento das propinas, porque é uma decisão política", mas criticou que "se tenha tomado esta decisão sem, em contrapartida, as universidades receberem um reforço orçamental para compensar o congelamento de um aumento que, basicamente, visava corrigir a inflação do ano anterior".

Manuel Heitor - que tinha participado no debate ao lado do deputado ao Parlamento Europeu Carlos Zorrinho (S&D - Socialistas e Democratas) e da deputada na Assembleia da República Nilza de Sena (PSD) - quer "atrair mais jovens para o conhecimento", recordando que Portugal "ainda só consegue que um terço dos jovens com 20 anos participem no ensino superior".

Há um pedido geral de todas as instituições para que voltemos a crescer e a aproximarmo-nos da Europa e a afastarmo-nos daquilo que foram as políticas de contenção e redução da despesa pública, que alavancou uma redução brutal da despesa privada na área do conhecimento", referiu Manuel Heitor.

Na sua intervenção, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior apontou que Portugal forma 1,8 doutorandos por cada 10 mil habitantes por ano, comparando aos 2,5 da Holanda e aos quatro da Finlândia.