A Associação Académica de Coimbra (AAC) promove na próxima quinta-feira uma concentração de estudantes de cara tapada, para demonstrar «a vergonha sentida pelos que têm de abandonar os estudos por falta de dinheiro».

Segundo noticia a agência Lusa, a decisão foi tomada na madrugada de quinta-feira, na primeira assembleia magna de estudantes do mandato de Jorge Serrote na presidência da direcção-geral da AAC.

«Será uma concentração silenciosa de estudantes com máscaras, para ilustrar a vergonha dos estudantes pela situação que estão a viver», disse esta sexta-feira à Lusa o dirigente estudantil, adiantando a existência de «situações dramáticas e complicadas», que diariamente chegam à Associação Académica, de estudantes sem dinheiro para pagar propinas.

5500 pedem empréstimos

De acordo com dados divulgados em finais de Fevereiro pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), até Dezembro do ano passado, cerca de 5500 alunos pediram empréstimos à banca para pagar os estudos, ao abrigo de um programa criado pelo próprio Ministério.

O objectivo da acção dos estudantes de Coimbra, referiu Jorge Serrote, é «denunciar e alertar a opinião pública para a situação».

«O número de candidatos a bolsas de estudo disparou este ano em todo o país e devia ter havido um aumento das verbas para a acção social compatível com a actual situação de crise», considerou o presidente da AAC.

Na Universidade de Coimbra, o número de pedidos de bolsas atingiu cerca de 6100 este ano lectivo, dos quais cerca de 500 foram entregues já fora do prazo normal estipulado pelo Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra (SASUC), um dado considerado «anormal», mas justificado com alterações económicas no seio familiar, segundo o gabinete de comunicação da Universidade (UC).

Gastos de 5260 euros por ano

De acordo com um recente estudo divulgado pela AAC, um estudante deslocado da UC gasta num ano lectivo, em média, 5260 euros com os estudos, gastos que não estão ao alcance de todas as famílias, alertou Jorge Serrote.

Os estudantes da UC reclamam o alargamento do passe social aos alunos do ensino superior e a abertura de um novo período para apresentação de candidaturas a bolsas de estudo.

O reforço do financiamento para o ensino superior foi outra das exigências manifestadas na assembleia magna, com a direcção-geral da AAC a pretender, em conjunto com outras associações estudantis, apresentar uma queixa ao Provedor de Justiça contra o actual modelo de financiamento.

Entretanto, contra a «falta de lugares» nos órgãos de gestão dos estabelecimentos de ensino, a AAC organiza dia 24 (Dia do Estudante) um «tradicional jogo de cadeiras» em que o aluno «é sempre quem fica sem lugar», disse Jorge Serrote.