O Instituto Politécnico do Porto (IPP) decidiu hoje não submeter o orçamento do próximo ano por entender não ter condições para distribuir internamente o financiamento face a novos cortes, disse à Lusa a presidente.

«Através das sete faculdades que integram o IPP, entendemos que não temos condições de fazer essa distribuição interna. Ou a tutela repondera ou a tutela que o faça. Porque nós não temos condições de conseguir suportar, depois de muito, depois de o instituto já ter feito reestruturações internas, nós não vamos cortar a nossa qualidade, já estamos com a situação no limite», afirmou a presidente do IPP, Rosário Gambôa, que disse que a redução de financiamento do instituto para o próximo ano foi de 3,7%.

A presidente do IPP disse já ter comunicado a decisão ao secretário de Estado do Ensino Superior e garantiu que ainda hoje iria enviar documentação para o Ministério da Educação e Ciência fundamentando-a.

Rosário Gambôa recordou que o IPP mantém o nível de financiamento de 2006 e lamentou que «as distorções de crescimento ou de diminuição de desenvolvimento das instituições nunca [tenham sido] corrigidas».

«Não estou preparada nem tenho capacidade para acomodar estes cortes», realçou a presidente do IPP, entidade que conta com 18 mil alunos.

A responsável da instituição de ensino superior disse ainda esperar uma resposta da parte do Governo «face a um descalabro destes, difícil de justificar perante o país, numa altura em que há menos dinheiro e melhor ele devia ser aplicado».

No fim de semana, o reitor da Universidade do Porto, Sebastião Feyo de Azevedo, alertou para «várias indefinições» que podem aumentar o corte do financiamento público à instituição em 2015.

Em declarações à Lusa, Sebastião Feyo de Azevedo revelou que, «do que está em cima da mesa neste momento, factualmente a Universidade do Porto tem um corte de 3%», tendo em conta que o financiamento do ensino superior vai sofrer um corte abaixo de 1,5% no Orçamento do Estado para 2015, de acordo com informação divulgada na terça-feira pelo Governo.

Mas, «globalmente, há várias indefinições que levam a pensar que este nível de dimensão de cortes é o mínimo que posso esperar», alertou.

Na passada terça-feira, o Ministério da Educação divulgou que o orçamento destas instituições «está a ser preparado com uma redução global prevista inferior a 1,5%».